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No Natal, a importância da tolerância e paz entre as religiões

Simone de Oliveira | 15/12/2019 | 06:00

Comemorar o Natal no dia 25 de dezembro como o aniversário de Cristo é o simbolismo máximo entre os cristãos. A data foi adotada pela Igreja no século 3 durante o Império Romano para os povos pagãos se converterem ao catolicismo, porém outras religiões também comemoram este momento, ressaltando a importância da figura de Cristo para a humanidade.

Mas independentemente da religião, líderes esperam que a data seja de respeito, de paz e, principalmente de tolerância, por isso, cada um enviou uma prece, uma palavra e até um mantra para mostrar que o importante é celebrar a vida (<CF551>leia as preces abaixo).

O padre Leandro Megeto, pároco da Igreja Nova Jerusalém e coordenador Diocesano da Ação Evangelizadora, lembra que no Natal deve existir o desejo de estar em família e celebrar o mistério da encarnação, pois é o momento em que Deus nos visita. “Em Belém, na Judeia, Deus se escondeu na fragilidade de uma criança. Hoje, nas nossas “Beléns”, ele se esconde na Palavra partilhada, na Eucaristia celebrada, nos pobres e pequenos desse mundo. Ele vem nos visitar e por isso é importante não deixá-Lo passar sem antes fazer uma oferta, assim como fizeram os reis do Oriente. Para nós este presente deve ser de conversão e de vida nova”, orienta.

Para o presidente da Igreja Batista Aliança Eterna e do Conselho de Pastores de Jundiaí (Conpas), Ademir Guido Jr., a data é uma das mais importantes da Igreja assim como a Páscoa. É um momento de relembrar do amor de Deus Pai, que entregou seu filho para mostrar a nós o seu amor através de Jesus.

“Aproveitamos para lembrar que a data é um momento de reconciliação com Deus, que nos amou sobre todas as coisas e nos mostrou isto através de seu filho Jesus. Em nossa igreja local comemoramos no domingo anterior para que todos possam aproveitar para estarem com suas famílias, em amor e comunhão. Neste culto de Natal, celebramos a ceia do Senhor. Temos apresentações de corais e teatro e encerramos com uma mensagem do grande amor de Deus por nós”, explica pastor Ademir.

OUTRAS VERTENTES

A comemoração do momento natalino não é apenas para os cristãos, apesar de ser a mais comum. O momento tem seu significado também em outras religiões e segmentos.  Apesar de não haver comemoração entre os budistas, a monja Gen Chime, do Centro de Meditação Vajrayogini, de Jundiaí, afirma que a alegria do período é contagiante. “Os budistas ficam felizes em ver as demais pessoas felizes. O sentimento neste período é da união, de congraçamento.”

Para Gen Chime, por conta dos tempos degenerados em que vivemos, é possível recorrer ao Buda da Compaixão, Avalokiteshvara, para que haja paz mundial. “Qualidades humanas essenciais estão em desuso, como a lealdade, confiança e fraternidade. É importante rezarmos para que elas voltem ao coração de todos”, orienta Gen Chime.</CW>

Para a Umbanda, a data não tem o mesmo ritual e significado daquele dado pelo Catolicismo, porém tem em sua doutrina, de forma geral, Oxalá sincretizado em Cristo e em seus ensinamentos. Segundo explica o presidente da União das Comunidades de Terreiros de Jundiaí e Região (Uniterreiros), o babalorixá Gihad Abbas, o momento é de render homenagens ao orixá Oxalá, o Pai Maior, criador do mundo e de todas as coisas. No sincretismo religioso Oxalá é associado a Jesus: trata do primeiro espírito encarnado que fala sobre a vida espiritual.

“O Natal é o momento de reflexões sobre a vida, sobre os aprendizados e vitórias e também sobre o ciclo que está prestes a se encerrar com o Ano Novo. Mais que uma data comercial, o Natal é o momento em que nós, umbandistas, cultuando e homenageando a Oxalá, somos convidados também a fortalecer nossos princípios de fé, amor, caridade, generosidade, compaixão, força, humildade e abnegação, assim como Jesus Cristo nos ensinou.”

O Natal na Umbanda significa o convite para que todas as pessoas interajam com a atmosfera fraternal e emotiva proporcionada por este momento de reflexão. “Esperamos que todas as pessoas compartilhem do sentimento do amor e de união, voltando-se internamente para aquilo que realmente é importante e capaz de despertar em todos nós os mais nobres e sinceros sentimentos, dando o melhor de si e se permitindo receber todas bênçãos que estão disponíveis pela energia universal do nosso Pai Oxalá.”

Gihad explica que cada pessoa comemora de maneira livre, de acordo com o sentimento que tem em seu coração. Algumas pessoas preparam defumações especiais, outras orações, muitos se reúnem com família e amigos, outros preferem se preservar nas comemorações direcionando suas intenções ao culto e homenagens à Oxalá. “Eu espero que nossa oração fortaleça a fé de todos, independentemente de religião ou crença, com uma mensagem a todos os irmãos de fé pelo Natal e pelo Ano que se encerra”, diz Gihad Abbas.


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