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No polimento, solidariedade de um ex-morador de rua

MARIANA CHECONI | 08/11/2019 | 05:00

“A medida que os outros veem que você está tentando ajudar uma pessoa, alguém vem e te ajuda”, com esse pensamento o polidor de carros Jayme Lima (Jayme do Farol), de 35 anos tem uma história de superação. Morador de rua durante mais de dez anos, achou em Jundiaí uma oportunidade de mudar de vida. Para se manter, faz polimento de faróis dos carros.

Jayme é natural da zona norte de São Paulo e veio para Jundiaí por causa de uma mulher que conheceu pela internet. O relacionamento não deu certo e voltou para as ruas de São Paulo. Porém, a vontade de permanecer em Jundiaí e mudar de vida foi maior e o polidor se instalou na cidade. “Sai de São Paulo com R$50 e a roupa do corpo. Chegando aqui, comprei meu material de trabalho e comecei a polir os faróis. Jundiaí me acolheu, me deu emprego e moradia. Não pretendo sair daqui tão cedo”, afirma.

O trabalho que Jayme conseguiu foi parecido com o que realizou por uns anos em São Paulo, mas, em vez de polir todo o carro, ele faz polimento apenas dos faróis. Cobra R$20 cada e realiza o serviço ao lado de uma loja de venda de carros, na Avenida 9 de Julho. “O farol foi um refúgio. Foi uma forma que achei de começar com pouco, porque é o mesmo serviço de polimento do carro, mas como eu não tinha máquina nem espaço para trabalhar, eu fiquei só com os faróis”, explica.

Solidariedade
O motivo que fez com que o homem conseguisse um lugar para trabalhar foi a visibilidade que um projeto idealizado por ele teve.

Jayme propôs trocar seu serviço por latas de leite em pó, que seriam doados a ONG’s da cidade. Ele não conseguia muitas latas e por isso, resolveu trocar o pedido por caixas de leite longa vida. Com isso, Jayme já chegou a arrecadar 100 litros de leite, quantidade completamente doada à ONG’s que cuidam de crianças.

“Eu gosto das causas infantis. Acho que se a gente vai lá atrás, na infância, conseguimos evitar que ela vire um adulto rebelde ou até mesmo vulnerável nas ruas. Se vamos direto na infância, evitamos muita coisa no futuro”, conta.

Jayme faz o evento de arrecadação uma vez por mês, aos domingos. O último, rendeu além do alimento, um valor em dinheiro e roupas. “As pessoas param, ajudam. Muitas já conhecem e mesmo que não deixem mexer no carro, dão um valor em dinheiro ou uma caixa de leite para contribuir”, afirma.

O próximo evento de arrecadação será neste domingo, em baixo do Pontilhão da Avenida 9 de Julho.
Quem quiser contribuir e ainda ganhar um polimento nos faróis do carro, basta comparecer ao local com um litro de leite.


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