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Nova ‘síndrome’ zoom fatigue já é realidade

NÁDIA ANTUNES | 12/07/2020 | 05:33

As novas tecnologias de comunicação, entre elas, as que permitem a realização de reuniões, videoconferências por meio de aplicativos de chamada de vídeo têm ajudado a manter a rotina de trabalho realizado em casa, após a chegada da pandemia, mas o excesso ao longo dos dias tem provocado cansaço e a exaustão física e mental nas pessoas, resultando na síndrome conhecida como ‘zoom fatigue’, um fenômeno contemporâneo caracterizado pelo cansaço gerado pelo uso excessivo destas ferramentas.

O psicanalista André Schüller, 35 anos, aponta que o excesso afeta as pessoas em dois momentos. O primeiro seria as dores físicas nos ombros, pescoço e lombar causados pela tensão. O segundo ponto seria o uso intenso da região ocular durante um tempo elevado, ou seja, a exposição dos olhos à tela do computador. “Esse esforço cobrará um preço alto, resultando na sensação de olhos secos, dores na cabeça e falta de ânimo em decorrência da fadiga”, diz o psicanalista.

Além do aspecto físico, ele diz que é preciso levar em consideração que a realidade do home office é diferente do espaço físico do trabalho. “Estando de frente à tela do computador não é possível compreender uma porção de outros símbolos e signos nas relações de comunicação, ou seja, nem todos os gestos e falas são compreendidas, o que leva a pessoa a empregar um esforço muito maior para interpretar a mensagem como um todo. Outro fator considerável seria que muitas pessoas apresentam traços de superestimar, supervalorizar as relações de trabalho. Tudo isso vai refletir na saúde, causando maior crises de ansiedade, de estresse, provocar tristeza e ainda descompensar a alimentação”, explica Schüller.

E foi justamente esta realidade que impactou diretamente a vida de Anna Karina Crodelino, de 32 anos, vice-presidente em uma empresa multinacional da área de Tecnologia da Informação. Trabalhando em casa desde o início da pandemia, ela conta que a realidade do home office impactou fortemente a sua rotina.

“No início da pandemia, eu senti o excesso das atividades pesarem e veio o cansaço físico e mental. Eu sentia que as reuniões eram improdutivas, muitas vezes tínhamos fatores técnicos que atrapalhavam, além da minha disponibilidade de horário que tinha que ser bem maior que o habitual. Eu não dedicava um momento ao lazer, era só trabalho”, conta Anna.

A exaustão causada por essas atividades também impactaram a vida da psicóloga e docente de pós-graduação Sandra Regina Uliano Smaniotto, de 53 anos. Além de ter que aderir à prática do home office, teve que aprender a mexer nas plataformas.
“Com a chegada da pandemia, eu comecei a ministrar aulas on-line, então tive que aprender a mexer nas plataformas e nos aplicativos e assim ajustar os horários, pois dou aula em três faculdades e em diferentes horários, para turmas diferentes.

Também comecei a realizar os atendimentos aos meus clientes a distância, tudo através das vídeochamadas. Essas novidades e o excesso delas impactaram na minha saúde, principalmente no estado físico, comecei a sentir muitas dores nas costas pois passo muito mais tempo sentada no computador”, conta Sandra.

Ela completa dizendo que o trabalho constante com as mídias e plataformas de vídeo dificultam, mas as interações e a compreensão do que está sendo tratado. “Na sala vemos as expressões dos alunos, sabemos que o assunto esta fluindo. Na frente das câmeras perdemos um pouco dessa relação. Isso é desgastante porque temos que ter uma preocupação muito maior. Saio de uma aula de três horas on-line muito mais cansada, do que quando ministrava aulas presenciais”, completa Sandra.

 

DRIBLANDO A EXAUSTÃO
Segundo orienta o psicanalista André Schüller, algumas atitudes podem ser tomadas para desestressar. “Transformar um ambiente de casa em local de trabalho ajuda o cérebro a entender que a nova realidade agora faz parte da rotina. É importante fazer pausas, seja para tomar uma água, tomar um sol e dedicar tempo aos familiares. São pequenos detalhes que nos ajudam a relaxar”, completa Schüller.

Como meio de driblar a rotina puxada e a exaustão emocional, Anna conta que aos poucos foi inserindo em sua rotina momentos de descanso. “De uns tempo pra cá, percebi que comecei a ser mais produtiva. Organizei meus horários, me permito tomar um café da manhã e só depois iniciar o trabalho. Coloquei na minha rotina a prática de exercícios físicos durante os intervalos. Essas pequenas mudanças contribuíram para que eu saísse do estresse e cansaço contínuo que eu sentia”, ressalta Anna.

Para Sandra inserir em sua rotina momentos de descontração também tem contribuído para amenizar o cansaço. “Como passo muito tempo sentada no computador eu procuro fazer caminhadas no condomínio onde eu moro, pelo menos três vezes na semana. Nos intervalos das vídeochamadas eu vou até a minha janela, olho para meu jardim e aproveito para relaxar”, diz Sandra.


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