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O jeito de ser pai – e fazer vinho – como tradição na família Mingotti

Plínio Teodoro | 12/08/2018 | 04:50

Assim como o feitio do vinho, que é passado de geração em geração, o modo de viver e de ser pai é uma tradição na família Mingotti. Aos 90 anos, Antonio Mingotti – ou Tonico Mingotti, como prefere ser chamado – fala com saudade do ofício aprendido com o pai Frederico e da herança que recebeu e passa adiante para os sete filhos, 10 netos e 4 bisnetos.

“Quando lembro dele, eu vejo ele. Tudo que aprendi com meu pai eu procurei passar para meus filhos”, conta. “Meu pai fazia carrinho de madeira, colocava quatro rodinhas e a gente descia esse morro, que na época era bem mais brabo”, recorda Tonico, falando sobre a estrada do bairro Roseira, onde a família mora desde que o nono Luigi Mingotti comprou as terras, em 1918.

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“Eu nasci na casa de pau a pique, logo ali, que foi construída pelo nono”, conta o vinicultor, enquanto enche as garrafas com o vinho produzido inicialmente pelo avô e agora é produzido por ele, com a ajuda dos filhos e de um neto.

Casado há 68 anos com “dona” Isaltina, Tonico conta que viu nascer os sete filhos: Maria Elisa, Maria Isabel, Maria José, Rosa Maria, Antonio Donizete, Celso José e José Victor – que morreu pouco tempo depois. “O parto não é fácil e eu ficava participando, ajudando ela”, conta com os olhos voltados para a esposa. “E quando via nascer, chorava”.

Do pai também herdou a fé e a responsabilidade pela capela de São Sebastião, ali mesmo na Roseira, obra prometida pelo nono Luigi para agradecer às terras compradas no dia do santo e reconstruída outras duas vezes, a última por seu genitor, Frederico. “Desde 1946, rezo terço e cuido da capela”, diz Tonico, que é o ministro de Eucaristia mais antigo da diocese de Jundiaí, com 48 anos de dedicação.

E é com essa fé que ele fala da paternidade. “Devido a graça de Deus eu fui gerado no útero da minha mãe e vi meus filhos serem gerados. Eu sou cristão, católico praticante, e tudo eu coloco Deus na frente. E tudo dá certo”, afirma, antes de contar, sorrindo, outros dois segredinhos que o ajudaram a criar os filhos. “Trabalhar bastante e tomar vinho!”

Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

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Plínio Teodoro
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