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Obesidade é motivo de alerta na cidade

Thiago Avallone | 10/10/2019 | 21:24

A rede municipal de saúde de Jundiaí informou que atendeu, de janeiro a setembro deste ano, 960 pessoas com obesidade. Uma pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), revela que a prevalência da obesidade continua crescendo no Brasil. Houve aumento de 67,8% nos últimos 13 anos, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018.
No ano passado, os dados apontaram que o crescimento da obesidade foi maior entre adultos de 25 a 34 anos, com 84,2%, e 35 a 44 anos, com 81,1%.

Apesar de o excesso de peso ser mais comum entre homens, em 2018 as mulheres apresentaram obesidade maior, com 20,7%, enquanto os homens, 18,7%.
Em Jundiaí, não há um levantamento sobre obesidade da população em geral. Segundo autoridades médicas especializadas, a porcentagem da cidade segue a média estadual.

Mas um estudo em escolas municipais, com alunos entre 9 e 10 anos, dentro do ‘Programa de Enfrentamento à Obesidade Infantil’, em 2017, mostra que 36% das crianças estão obesas. “O índice é muito alto. O ideal seria 3%”, afirma o endocrinologista Homero Francisco Dabronzo, professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí e coordenador do programa.

Ele explica ainda que a obesidade é uma das grandes causas de mortalidade, e o tema deve ser tratado com cuidado para que cada vez mais as pessoas possam sair dessa condição.

A obesidade é considerada o acúmulo de gordura corporal e é caracterizada pelo volume excessivo no ventre e em outras partes do corpo. Ela aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão e aterosclerose, diabetes, apneia do sono, aumentando assim os riscos de morte.

A Prefeitura de Jundiaí informou que faz ações de promoção de hábitos saudáveis, como o incentivo à atividade física e à alimentação saudável, por meio de atendimento coletivo e individual em dez grupos, que não são exclusivos para obesos, nas Unidades de Atenção Primária (UBS/PSF).

Também são ofertados atendimentos multidisciplinares, com fisioterapeuta, educador físico, psicólogo e nutricionista nas Unidades de Atenção Primária a Saúde (UBS/PSF), e atendimento com médico endocrinologista e nutricionista na Atenção Especializada (Ambulatórios).

Em parceria com a Unidade de Gestão de Educação (UGE), também são feitas ações, como ‘Enfrentamento à Obesidade Infantil’ e ‘Crescer Saudável’, atendendo todas as faixas etárias do ensino municipal, com oferta de alimentos naturais e orgânicos na merenda, atividades físicas, palestras e acompanhamento nutricional a partir da rede de atendimento básico.
O jovem Georges Farah Restom iniciou em 2010 uma luta incansável contra a doença. Na época, Georges pesava 200 quilos e era incapaz de fazer coisas normais do dia a dia. Foi quando decidiu mudar seus hábitos e tentar emagrecer.

“Há nove anos, eu tinha 200 quilos, não me sentia bem, acho que, além da questão estética, a obesidade mexe muito com o psicológico. Tive depressão, era muito difícil, mas decidi que tinha que mudar. Tanto por uma questão de saúde, por querer ter uma família, e principalmente porque queria ser um orgulho para minha mãe. Eu precisava me recuperar, conquistar algo, me formar, não queria ser um filho que só deu tristeza a ela. Hoje, me sinto curado e estou em busca de tudo isso”, explicou.

Georges iniciou a luta simplesmente mudando a alimentação. Não fez cirurgia e nem passou a praticar esportes, mas decidiu parar de comer fritura e doces, e deixou de tomar refrigerantes. Se alimentava de forma saudável de três em três horas e, assim, conseguiu alcançar o objetivo. Hoje, 105 quilos mais magro, pesa 95 quilos e se considera um vencedor.

A psicóloga Fernanda Moura explica que os principais transtornos desencadeadores de obesidade são a depressão e a ansiedade. “A forma de tratar a doença é primeiro fazer com que a pessoa entenda a real condição, para que ela aceite como está e reconheça o que não esta fazendo bem para si mesma. Assim pode começar a mudar a situação, mudando primeiro o pensamento”, explica. “Normalmente as pessoas com obesidade têm um pensamento negativo. Elas olham para si mesmos e se acham horríveis. Desta forma, por mais que a pessoa se esforce, ela acabará desistindo e se desmotivando. É importante que a mentalidade seja positiva, que escolha mudar seus hábitos para ter mais saúde, se sentir melhor consigo mesma, tratar seu corpo como seu próprio templo.”

 


Thiago Avallone
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