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Obesidade preocupa médicos

VINÍCIUS SCARTON - vscarton@jj.com.br | 01/04/2018 | 12:08

Com quase 20% da população paulista obesa e mais de 54% com sobrepeso, é cada vez maior a preocupação dos médicos com os riscos que o excesso de gordura corporal pode causar. Pesquisas corroboradas pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer, da Organização Mundial de Saúde (OMS), comprovam que a obesidade representa risco para o desenvolvimento de pelo menos 13 tipos de câncer.
Em Jundiaí, não há um levantamento sobre obesidade da população em geral. Segundo autoridades médicas especializadas, o percentual da cidade segue a média estadual. Mas um estudo realizado no ano passado em escolas municipais, com alunos entre 9 e 10 anos, dentro do Programa de Enfrentamento à Obesidade Infantil, mostra que 36% das crianças estão obesas. “O índice é muito alto. O ideal seria 3%”, afirma o endocrinologista Homero Francisco Dabronzo, da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), um dos idealizadores do programa.
A situação, frisa o médico, é preocupante. O excesso de peso, principalmente os casos de obesidade, aumentam a pressão arterial, o risco de diabetes e de vários tipos de câncer, como já comprovam muitas pesquisas. Além de aumentar a mortalidade. “Nos casos de câncer de mama, por exemplo, uma mulher obesa tem o dobro de chance de morrer em comparação à uma mulher com peso normal”, diz o médico.
De acordo com os estudos, a obesidade aumenta o risco para o desenvolvimento de câncer de esôfago, estômago, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama, ovário, endométrio, meningioma, tireoide e mieloma múltiplo. Segundo os pesquisadores, o excesso de gordura corporal provoca um estado de inflamação crônica e aumento dos níveis de determinados hormônios, que promovem o crescimento de células cancerígenas, aumentando as chances de desenvolvimento da doença.
O endocrinologista pontua alguns exemplos. Segundo ele, as chances de uma mulher obesa ter câncer de colo do útero e de rim é seis vezes maior em comparação à uma com peso normal. No pâncreas, é 2,5 vezes maior. Já nos homens, a chance de um obeso desenvolver câncer de pâncreas é três vezes maior e o de intestino, duas vezes.

Programa municipal
Preocupado com as estatísticas, o médico da FMJ desenvolveu em Jundiaí o Programa de Enfrentamento à Obesidade, que ganhou apoio da Prefeitura e engloba quatro unidades de gestão: Educação, Saúde, Esporte e Agronegócio. Desde o ano passado, sete escolas da rede municipal estão realizando ações, em um projeto piloto, para trabalhar o tema com os alunos e pais.
“A gente precisa enfrentar esse problema. O trabalho com as crianças é importante porque a ideia é evitar que elas cheguem à idade adulta com sobrepeso ou obesas”, destaca o endocrinologista. “O programa está ajudando a orientar essas crianças para que consigam se cuidar. Aprendendo a gente consegue escolher o que é melhor para nossa saúde.”
Além do alto índice de crianças com sobrepeso e obesas, o programa também fez uma análise no hábito alimentar dos alunos, que fizeram um diário alimentar. “Constatamos que há uma redução importante no consumo de alimentos preparados em casa e hortifrútis. Por outro lado, um aumento no consumo de processados e industrializados”, revela o médico.
Na Emeb Adelino Brandão, uma das escolas que está desenvolvendo o programa, alunos e pais já estão mais conscientes da necessidade de se manter uma alimentação saudável e nutritiva. “Temos uma horta, onde as crianças plantam alguns legumes, fizemos palestras com nutricionista no ano passado e outras ações. Estamos resgatando a importância da alimentação saudável”, diz a diretora Silmara Antunes.
Basta um bate-papo com alguns alunos da Emeb para comprovar que as ações já começam a mostrar resultados. “A gente está aprendendo que tem que comer comida saudável, não esses salgadinhos e coisas industrializadas”, contam as alunas Rayssa Graziele Correa, Inaê Botelho dos Santos e Sabrina Mirandola da Silva, todas de 10 anos.
Inaê, que está um pouco acima do peso, afirma que já mudou sua rotina de alimentação, tanto na escola quanto em casa. “É importante para a saúde. Depois das palestras e atividades que fizemos comecei a comer melhor”, afirma ela, que diz ter se surpreendido com o gosto do patê de alface, uma das receitas ensinadas aos pais em uma das ações da escola. “É uma delícia”, garante.


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