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Pacientes abandonam tratamento e preocupam cirurgiões-dentistas

MÁRCIA MAZZEI | 14/07/2020 | 05:00

Mesmo com todos os procedimentos implantados nos consultórios dentários, setor tido como essencial e que pode atender o público, muitos pacientes interromperam os tratamentos. Alguns profissionais falam em uma queda de 50% no atendimento.

O coordenador de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HCSVP), José Antônio Kachan Filho, considera a situação preocupante. “Tivemos uma diminuição de 50% da entrada de pacientes no Pronto-Atendimento (PA). Antes da pandemia prestávamos 90 atendimentos por dia. Hoje, não passa de 40”, diz.

Kachan explica que o setor de especialidade funciona separado do restante do hospital, inclusive dos pacientes em tratamento de covid-19. “As pessoas não podem deixar de procurar ajuda médica e odontológica. Apareceu uma lesão ou uma mancha na cavidade bucal, que persiste por mais de uma semana, não esperem. Isso pode se transformar em algo mais sério”, conclui.

Com um consultório particular, a dentista Magda Gomes Tininis, 47 anos, diz que o risco de protelar um tratamento é agravar o quadro clínico e trazer complicações ao paciente. “Meu atendimento é prioritariamente de urgência. Então, quando o paciente chega ao consultório já está com uma infecção instalada ou a perda de um dente ou o canal comprometido. Ou seja, situações impossíveis de serem adiadas ou abandonadas”, alerta.

CUIDADOS REDOBRADOS
O Ministério da Saúde reforça que os profissionais de saúde devem estar organizados e trabalhar em sintonia desde o acolhimento e triagem clínica até a avaliação de sintomas e definição de casos para que os usuários não sejam desassistidos e sofram quaisquer riscos inerentes ao novo coronavírus. É o que tem feito a dentista. “Assim que o paciente chega ao consultório faço a anamnese e checo o histórico clínico particular, além dos possíveis contatos com pessoas contaminadas nos últimos 15 dias”, explica Madga.

Para o analista de planejamento Felipe André Alves Silva, 32 anos, as medidas preventivas adotadas no consultório fez com que ele não abandonasse seu tratamento. “Me senti seguro para o procedimento que precisei passar durante a pandemia”, diz o analista.

No caso de Felipe, era uma urgência, sem possibilidade de adiamento. “Não há motivo para preocupação. A saúde precisa estar em primeiro lugar”, defende.

Os processos de desinfecção, esterilização e limpeza dos instrumentais, equipamentos e ambientes devem ser seguidas tanto nos consultórios particulares quanto nos atendimentos odontológicos da Atenção Especializada, como por exemplo, os Centros de Especialidades Odontológicas (CEO). “Assim que o paciente entra no consultório, é feita a higienização dos pés e das mãos e um bochecho com uma solução especial. Já o profissional de saúde utiliza os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que vão desde a máscara convencional e descartável (N95), máscara de acrílico (face shield), dois jalecos, toca de proteção para a cabeça e luvas para as mãos”, enumera a dentista.

Parte da mobilia do consultório foi retirado e a sala de atendimento também sofreu modificação. “No momento que recebo o paciente, sou obrigada a manter as janelas abertas, não posso ligar o ar condicionado e o espaçamento entre os pacientes deve ser de três horas. Estão sendo tomadas todas as medidas. Portanto, é seguro vir ao dentista. Muito mais do que permanecer com dor, infecção ou se autoindicar”, alerta.

Magda Tininis redobrou os cuidados no consultório para atender pacientes

 

Felipe André Alves se sente seguro durante as sessões para o tratamento


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