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Pacientes curados da covid relatam sequelas

MÁRCIA MAZZEI | 17/06/2020 | 05:00

“Acho que eu fui um dos únicos pacientes curados do novo coronavírus que sai andando do Hospital São Vicente”. Esta foi a declaração do eletricista Zenilton Correia da Silva, de 67 anos, ao falar sobre sua recuperação do covid-19. Ele é um dos 1.708 recuperados registrados em Jundiaí. Até hoje ele passa por sessões de fisioterapia, já que sua oxigenação ainda está em 90%. Aliás, este é um quadro que se repete entre os pacientes curados da covid-19 já que o pulmão é o alvo favorito do Sars-CoV-2 e a recuperação é a que mais tardia. Segundo o Ministério da Saúde, mesmo depois que o vírus vai embora, a inflamação pode persistir por semanas, comprometendo o funcionamento do órgão.

No caso do eletricista, foram 15 dias entubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Tive alta do hospital com 70% de capacidade de oxigenação, além disso, tomo remédio para arritmia cardíaca e anticoagulante oral”, conta.

Com um quadro igualmente crítico, Denise Galdino, de 40 anos, ainda busca se recuperar. Durante o diagnóstico da covid-19, ela teve complicações como trombose, derrame e água no pulmão. “Tive alta há um mês, mas ainda sinto muitas dores nas costas e dificuldade para respirar. Faço acompanhamento por meio de terapia e, segundo os médicos, as sequelas vão me acompanhar por muito tempo”, lamenta.

MAIS AMENOS
Um dos primeiros casos testados positivos para a covid-19 na cidade foi de Claudinei Marchesi, de 53 anos, mas é uma história que vai na contramão do quadro de sequelas de recuperação. Diagnosticado no final do mês de março, Marchesi ficou na UTI por três dias, mas tudo isso parece fazer parte de um passado bem distante. “Não acho que eu tenha ficado com algum tipo de sequela porque tenho mantido minhas atividades e até aumentado a frequência para fortalecer o meu pulmão.”

Marchesi sempre teve uma rotina esportiva muito ativa, pedalava de 3 a 4 vezes por semana, e continua a pedalar. “Não me sinto com a minha capacidade pulmonar 100% restabelecida. Enquanto não tiver nenhum exame que possa avaliar a minha capacidade pulmonar, não tenho como falar ao certo, mas acredito que a recuperação de cada um é muito individual”, defende.

Ele conta que conhece algumas pessoas que precisaram passar por acompanhamento psicológico, mas não foi o que aconteceu com ele. “Eu, particularmente, sinto que saí fortalecido. Afinal de contas, eu venci a doença e me sinto vitorioso.”

Nesta mesma linha de recuperação rápida e amena, está a auxiliar de enfermagem Josimeire Hatori de Oliveira, de 35 anos. Ela deixou o São Vicente no dia 29 de abril após nove dias de internação, incluindo 48 horas seguintes na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Embora hipertensa, a doença se estabilizou rapidamente por meio de medicação. “Sinto apenas falta de ar, mas está sob controle, tanto que já retornei ao trabalho.

TESTAGEM
Seja pela inflamação exacerbada ou por um ataque direto do vírus, o peito pode sofrer a longo prazo. Ainda é cedo para falar de incidência, mas há relatos de insuficiência cardíaca pós-internação por covid-19. Esse risco aumenta quando há transtorno cardiovascular preexistente.

Até 40% das pessoas que vão para a UTI sofrem com insuficiência renal e precisam de hemodiálise durante a internação. Geralmente são pelo menos três meses para a recuperação completa.

A boa notícia vem de uma nota técnica do Ministério da Saúde que relata que ainda não sabe se os abalos na saúde são permanentes. O tempo de convivência com a infecção não é suficiente para a recuperação completa de uma vítima grave de outras infecções.

Aliás, essa é outra questão porque boa parte das consequências do novo coronavírus, inclusive as pulmonares, são semelhantes às deixadas por outras mazelas respiratórias agressivas, que exigem entubação e longos períodos na UTI. Portanto, segundo o Ministério da Saúde, são referências apenas a particularidades dessa pandemia.


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