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Padre Brombal: paternidade no amor que gera e que acolhe

Plínio Teodoro | 12/08/2018 | 04:55

Em um quarto simples da casa paroquial localizada na Praça Governador Pedro Toledo, no centro de Jundiaí, ele vive seu tempo da delicadeza. Sob a cama de solteiro – que divide espaço com um guarda-roupas e uma escrivaninha -, pode olhar as fotos penduradas na parede, lembrar do casamento com a mulher, Olinda, e orar pelos 12 filhos frutos da união que durou exatos 34 anos e meio. “Nos casamos com o propósito de termos 14 filhos, mas foram esses que Deus nos deu”, conta José Brombal, pai de Anselmo, Maria Aparecida, Maria José, Maria Conceição, Maria das Graças, Paulo Alberto, Maria Salete, Maria Ana, Maurílio Luiz, José Carlos, Plínio Eduardo, Maria Cláudia e, desde 1995, padre na Catedral Nossa Senhora Desterro.

Prestes a completar 91 anos – no próximo dia 14 de agosto -, Padre Brombal caminha devagar, fala mansamente e espalha a paz de quem recebeu duas “missões gratificantes para servir o povo de Deus”. No curto caminho entre a casa paroquial e a Igreja, ele conta um pouco da história da família que construiu, enquanto abre a carteira com notas de 2 reais trocadas propositalmente para distribuir aos “filhos” que vivem na rua e que sempre lhe pedem uma moeda para comprar comida. “É para comer mesmo, hein!?!”, fala, ao entregar a nota e dar a recomendação tipicamente paterna.

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Nascido em 1927 na Fazenda Santa Gertrudes, então um distrito de Jundiaí na região de Vinhedo, Brombal se recorda das histórias contadas pelo pai, o imigrante italiano Anselmo, que gostava de narrar a vida do ilustre conterrâneo Giuseppe Melchiorre Sarto, que assumiu o posto máximo da Igreja Católica sob a alcunha de Pio X. “Meu pai foi um santo pai. Ele gostava de contar histórias do papa que, acredito, me influenciaram um pouco. Mas nunca pensei em ir para o seminário”.

Ao conhecer Olinda, uma moça que fazia parte do apostolado da oração da igreja da Vila Arens, apaixonou-se. E o casamento aconteceu em 17 de maio de 1952. “Eu agradeço todos os dias pela mulher que tive. Encaixou certinho”.

Porém, quis o destino que o carpinteiro Brombal – “com mais de 40 anos de experiência em uma única empresa” – abraçasse ainda mais filhos que aqueles que gerou junto com Olinda. Após a morte súbita da esposa, em 11 de novembro de 1986, vítima de trombose, Brombal fez propósito de castidade e começou a dedicar sua vida à igreja.

Em 9 de novembro de 1990 foi ordenado diácono. Cinco anos depois recebeu o convite de dom Roberto Pinarello para voltar-se ao sacerdócio. Sem nunca ter estudado, Brombal credita o convite ao Espírito Santo e à fé, que ele define como “acreditar na palavra que Deus dá a boca e dá o prato”.

Caso raro de um cristão que já recebeu os 7 sacramentos da Igreja Católica – incluindo aí o sacerdócio e a unção dos enfermos, em razão da idade -, Brombal é certeiro ao definir a sua vida. “Pode escrever aí que eu sou feliz”.

Sobre a paternidade dos filhos que gerou – e daqueles com quem se depara diariamente na catedral e nas ruas – ele conta o seu segredo. “Acreditar no pai que está no céu – que chamamos de Pai Nosso -, diálogo com a esposa e amar os filhos como Jesus nos amou, com as virtudes e defeitos que possam ter. Amar, amar e amar. É esse o segredo”.

 

Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

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Plínio Teodoro
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