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Pais se tornam auxiliares pedagógicos durante isolamento

Édi Gomes | 01/04/2020 | 05:00

Desde o início do isolamento social uma nova rotina foi agregada ao cotidiano doméstico das famílias.

Agora o ‘homeschooling’, conhecido como educação domiciliar, direcionou à família a responsabilidade de aprendizagem com a suspensão das aulas.

Para a orientadora pedagógica do Colégio Divino Salvador, Maria Isabel Gut, nenhuma escola tinha um plano para algo tão inusitado como a pandemia. “O coronavírus não estava nos planos de ninguém, por isso a enorme importância de valorizarmos os trabalhos dos pesquisadores e cientistas. Nas reuniões que fazemos, traçamos o dia a dia para informarmos diariamente às famílias a organização dos horários de aulas on-line, roteiros de estudos, vídeos motivacionais, entre outras ferramentas de acesso, para a melhor assimilação dos pais e alunos”, complementa.

Ela enfatiza a importância de os pais não exigirem dos filhos além do necessário. “Se o filho estiver com muito sono, não pode obrigá-lo a ter um longo estudo e concentração nesse momento. Isso irá causar um estresse desnecessário a todos. É dar tranquilidade aos filhos de que essa situação é a mesma para as pessoas do mundo todo. As lições devem ser acompanhadas e orientadas, e apesar do acúmulo de funções, que os pais não se sintam responsáveis por toda a aprendizagem do filho”, orienta a psicóloga.

A consultora tributária Maria de Lourdes Bighetto Zuin, de 49 anos, se sentiu perdida quando houve a suspensão das aulas e tudo precisou ser organizado. Mãe do Danilo, de 15 anos, e Heloísa, de 9 anos, precisou sinalizar que não dava para cumprir a agenda diária. “Meu filho estuda em escola pública e minha filha em particular. A unidade da Heloísa mandou roteiro, a princípio enlouquecedor porque era como se pudéssemos sentar cinco horas por dia integral. Daí sinalizei para a escola que não dava para cumprir a agenda”, comenta.

Maria de Lourdes é casada com o empresário Eduardo Zuin, de 49 anos, mas quem tem didática é ela para conduzir as lições, além de toda rotina da casa. Entre as dificuldades, matemática foi o desafio, mas não pela matéria e sim pela quantidade. “Para mim o excesso de exercícios foi a dificuldade. Para outras mães, o inglês, mas por outro lado algumas aulas são muito bacanas, como libras, por exemplo” explica a consultora.

A economista Ederli Garcia Ferrarezi, de 48 anos, também teve de agregar a função de educadora honorária neste período. Mãe de Isabela, de 14 anos, e de Iasmin, de 7 anos, ela enfrenta o desafio de manter os estudos no mesmo horário. “Trabalho na oficina mecânica com o meu marido Jurandir Ferrarezi e atendo clientes e agora as várias plataformas do colégio. Precisei dar aula de inglês para Iasmin e quase pirei”, desabafa.

HÁBITO
O sistema municipal de ensino de Jundiaí, coordenado pela Unidade de Gestão de Educação (UGE), segue por outro caminho. Uma plataforma com diversas atividades foi desenvolvida com o objetivo de manter o hábito de ensino. Segundo a gestora Vasti Ferrari Marques não se trata de reposição de aula.

“É um momento delicado e as crianças precisam da atenção específica aos detalhes das fases de aprendizagem, do contato físico com o professor e na interação com os as outras crianças da mesma faixa etária. Nossa proposta é diferente pois queremos manter o hábito do ensino para os alunos”, diz Vasti.

Nesta linha de raciocínio, a gestora explica que a plataforma, dentro Portal da Educação, apresenta sugestões de atividades orientadas, desenvolvidas para os alunos do fundamental, na faixa dos seis aos 10 anos. Para pequenos, na faixa de zero a cinco anos, a página também há roteiro que auxiliam os pais e responsáveis. “A plataforma apresenta rotina de estudos para os pais, tarefas de estudo e atividades diversificadas, momento da leitura, recreação dirigida, brincadeiras, além da parcerias. Por exemplo com Maurício de Souza que disponibilizou gibis”, diz Vasti, ao lembrar que o plataforma pode ser acessadas pelo site https://url.gratis/6vhWn

Cursos on-line para ajudar neste período

A interrupção quase que brusca na rotina de cada um neste momento de isolamento fez muitas pessoas redescobrirem o tempo que faltava para estudar via internet. Instituições de ensino estão sendo parceiras neste momento.

Para auxiliar nesta empreitada, o Senac São Paulo disponibilizou 20 cursos on-line. São conteúdos diversos que estão disponíveis no site da instituição www.sp.senac.br. A instituição informa que as vagas são limitadas e oferece cursos nas áreas de liderança, finanças, imagem pessoal, nutrição e neurociência.

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) também disponibilizou em seu portal cursos on-line. Ela liberou 55 cursos totalmente gratuitos para este período de quarentena com certificação ao final. Entre as opções ofertadas pela FGV, há cursos de introdução à criação e execução da estratégia, como organizar orçamento familiar, conceitos básicos de matemática financeira, introdução à administração estratégica, investigação criminal e instauração de ação penal, entre outros. Informações no site pelo link https://bit.ly/2JpNuXI.

A Harvard, localizada nos Estados Unidos, considerada uma das maiores universidades do mundo, também está oferecendo cursos a distância pelo link https://www.edx.org/school/harvardx. A instituição oferece aulas de literatura, biologia, empreendedorismo, história e biologia.

 


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