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Pais temem retorno às aulas com pandemia em curso

Nathália Sousa | 01/07/2020 | 05:00

O reinício das aulas presenciais na rede estadual está prevista para o dia 8 de setembro, com a ocupação máxima de 35%, revezamento de estudantes durante a semana e sob protocolos de segurança. O anúncio feito pelo governador João Doria não agradou pais e responsáveis que temem ainda mais a contaminação pelo coronavírus. Mesmo com receio da repetência dos alunos, pais ainda não sabem se irão autorizar a volta dos filhos.

A autônoma Luana Lima, mãe de Ivana, de 4 anos, e Gianlucca, de 10 anos, adiantou que a filha não retornará aos estudos durante a pandemia, independente da cobrança das faltas. Já Gianlucca, Luana conta que não deseja mandá-lo à escola, mas depende de outros fatores. “Como meu filho é ator, estávamos morando no Rio de Janeiro, mas quando começou o isolamento voltamos para Jundiaí, pois somos daqui. Para que ele volte a gravar a novela, não pode ter faltas ou notas ruins, então, para não mandá-lo de volta à escola este ano, precisarei que a empresa o libere de apresentar o boletim”, conta.

Luana Lima com a filha, Ivana, que não voltará à escola até o fim da pandemia

Dilian Silva é mãe de dois meninos, de seis e 10 anos, ambos estudantes da rede municipal de Jundiaí. Ela conta que neste ano os filhos não voltam para a escola. “Eles fazem aulas on-line, mas já perderam o ano. Eles não sabem se cuidar sozinhos, as crianças não se veem faz tempo, eles vão querer se abraçar, brincar. As crianças podem não pegar o vírus, mas também há funcionários na escola. Meu marido é agente funerário e eu sei que essa pandemia não é brincadeira. Se uma mãe fala que precisa trabalhar, eu entendo, mas a gente precisa pensar nas vidas das pessoas”, diz ela, ciente da responsabilidade do impedimento do retorno.

Mãe de Kiara, de oito anos, Regiane Rangel Brandão fala que é completamente contra o retorno às aulas. “Dói no coração saber que minha filha perderá o ano, mas é melhor do que perder a vida. Criança não fica tantas horas de máscara. Pode vir quem for aqui para mandar ela voltar, ela não volta. Se derem um reforço na volta, tudo bem, mas se não tiver até prefiro que ela repita, porque ela não aprendeu nada em casa, eu tento ensinar, mas é diferente da professora”, diz.

Regiane completa que não acredita na capacidade de controle das escolas. “Já tive problema com piolho na escola da minha filha. Se a escola não controla isso, imagina se vai controlar um vírus.”

Outra mãe que teme a volta às aulas presenciais é Lilian Vaz Bueno Quirino. Os filhos de 19 anos, 16 anos e nove anos têm bronquite asmática, doença crônica que os coloca no grupo de risco da covid-19. “O meu filho mais velho compreende mais o uso da máscara, o de 16, como usa óculos, não gosta e o de nove não dá para controlar muito. Se eles reprovarem por falta, eu vou recorrer, porque são do grupo de risco. Mesmo com o revezamento dos estudantes na escola, é difícil controlar também a saída e a entrada das aulas, porque eles têm contato”, conta Lilian, que também tem doença cardíaca crônica.

ANÁLISE

Sobre a contagem de faltas na rede estadual com o retorno às atividades presenciais, a Secretaria da Educação de São Paulo informa que este ponto ainda está em estudo.

A Unidade de Gestão de Educação (UGE) informa que, até o momento, não há data definida para o retorno às aulas na rede municipal. A UGE reforça ainda que há a necessidade de a cidade estar na fase amarela há pelo menos 28 dias para que haja o retorno gradativo às aulas presenciais na rede estadual, o que não ocorre em Jundiaí. A decisão sobre o regresso das aulas presenciais da rede municipal de ensino, bem como as demais definições envolvendo os alunos, os profissionais da educação e as famílias, continuará a ser tomada levando-se em conta evidências científicas.

A UGE acrescenta que, a fim de evitar que os alunos da rede municipal sejam prejudicados neste período de suspensão das aulas, as unidades escolares estão fazendo a entrega de tarefas aos estudantes, que estão sendo acompanhados pelos professores via internet. No caso dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) foram implementadas aulas on-line. Caso o adulto não tenha acesso à internet, a entrega da tarefa é efetuada na escola, conforme organização da equipe gestora. Já os profissionais da educação continuam participando de formações à distância.


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