Jundiaí

Pandemia causa reflexo no mercado de trabalho


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Crédito: Reprodução/Internet
A crise econômica desencadeada pela pandemia já está causando mudanças nas relações de trabalho. Para especialistas, uma grande onda de desemprego, seguida do aumento da informalidade, marcarão os próximos meses. Categorias mais organizadas têm conseguido acordos coletivos para barrar o desemprego. Segundo o economista Mariland Francisco Righi, o corte de funcionários será a saída das grandes empresas para na tentativa de evitar um colapso. “Teremos demissões em massa. Essa medida já foi adotada por outros países afetados pelo vírus, como o Estados Unidos, Espanha e Itália”, explica o especialista. Este será um reflexo da paralisação de todo e qualquer serviço considerado não essencial, medida imprescindível para que o país possa conter o vírus, mas que levou e ainda levará muitas empresas à falência. “Para que este impacto não seja tão incidente, a solução é fazermos acordos entre os funcionários e empregadores para que haja a redução dos salários”, sugere Mariland. O presidente do Sindicato do Metalúrgicos, Eliseu Silva Costa, afirma que todas as medidas possíveis estão sendo tomadas. “Estamos negociando diretamente com os empresários para que os trabalhadores formais possam continuar com seus postos de trabalho”, exemplifica, citando a redução do salário proporcional às jornadas de trabalho para que a demissão não seja necessária neste momento. O cientista político, Paulo Malerba, de 35 anos, afirma que os mais afetados serão os trabalhadores sem relação empregatícia afirmada, uma vez que estes, não possuem sequer direitos ou algum tipo de proteção legislativa. “Em categorias mais organizadas, como os bancários, o sindicato conseguiu garantir proteção e emprego, sem redução de salários, mas é um caso minoritário comparado ao total”, pontua. Contudo, o aumento dos trabalhadores informais poderá ser uma resposta ao desemprego. INFORMALIDADE De acordo com o índice Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só no último ano, 19,3 milhões de pessoas trabalhavam por conta própria, o que representa 41,1% dos empregados em nível nacional. São considerados trabalhadores informais aqueles que exercem atividade sem registro em carteira; os MEI’s (microempreendedores); trabalhadores domésticos ou ainda empregadores que não possuem CNPJ aberto. Segundo o professor de filosofia, Edson de Souza Almeida, de 49 anos, se adequar às novas relações de trabalho é uma questão de instinto natural. “Os trabalhadores, historicamente, têm se adaptado às novas condições de trabalho. Trata-se da necessidade de sobrevivência material, o que não quer dizer que deva aceitar tudo”, diz. Além da informalidade e da recessão de postos de trabalho, a crise também abrirá portas para um mundo regido pelas relações digitais, como por exemplo, o teletrabalho. É o que explica o professor de sociologia e doutor em educação, Fernando Roberto Campos, de 58 anos. "O trabalho remoto já vinha acontecendo de alguma forma na vida de todos os trabalhadores através do uso do e-mail e do WhatsApp. Com a pandemia e a quarentena, o trabalho remoto passou a ser muito mais intenso para todos os profissionais”, pontua.   Para Edson, essa mudança há pontos positivos e negativos. “O certo é que muitas empresas já têm se ajustado à nova realidade, mas de maneira precária, afinal, se há certos ganhos no home office como economia de energia, água, equipamentos para a empresa, por outro lado, o funcionário ao realizar seu trabalho em casa está arcando com estes custos”, ressalta. O pesquisador ainda reflete sobre os impactos interpessoais e ideológicos desencadeados pela pandemia. “De qualquer modo, as decisões futuras devem ser tomadas coletivamente e caberá ao Estado assumir a liderança para superar essas novas condições postas pelo contágio. Não é possível prever o futuro, mas podemos nos preparar com novas políticas econômicas. Talvez deva haver maior solidariedade entre as classes sociais. Uma justiça mais distributiva dos bens e riquezas produzidas socialmente certamente fará a diferença, mas primeiro é preciso que as pessoas se convençam dessa necessidade e aceitem rever seus conceitos e até ideologias”.

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