Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Para 45% dos jovens, falar de sexo com os pais ainda é tabu

KÁTIA APPOLINÁRIO - ksantos@jj.com.br | 24/03/2018 | 20:03

Explorar nossos corpos em busca do prazer, além de contribuir para o autoconhecimento, faz parte da desmistificação da sexualidade. Mas, quando se é adolescente, falar de sexo, seja na sala de aula ou de casa, ainda é um tabu.

Neste mês, a Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), em parceria com a Bayer, realizou um levantamento com mulheres entre 16 e 25 anos sobre gravidez e prevenção sexual. Os resultados apontam que, em São Paulo, 31% das jovens tiveram sua primeira conversa sobre sexo com os amigos, indício de que os pais ainda sentem dificuldades em pautar o assunto.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos

A jovem K.C., de 17 anos, faz parte desta estatística. “A primeira vez que eu conversei sobre sexo eu estava com os meus amigos. Na rua se fala bem mais do que na escola, ou dentro de casa”, conta. Tendo iniciado a vida sexual aos 14, Y.S., de 17 anos, também não se sente à vontade para dialogar com a família. “Nunca falei sobre sexo com minha mãe. Quando eu tinha uma dúvida, eu perguntava para a minha prima”, afirma. A realidade de K.C. e Y.S. reflete a de 45% das adolescentes entrevistadas no estado de São Paulo, que afirmaram não conversarem sobre sexualidade com os pais.

Preconceito

Essa dificuldade para falar de sexo acontece porque tudo o que é associado ao prazer é omitido. “Isso foi construído ao longo da história, principalmente em períodos como a Idade Média, quando o sexo era visto como algo relacionado ao pecado”, explica a sexóloga Laura Maria Stoppa.

Para a fisioterapeuta pélvica e terapeuta sexual Laura Rodrigues, de 29 anos, a sexualidade deve ser um tema abordado desde a infância para que a criança assimile o tema com naturalidade. “Falar do assunto desde cedo é importante justamente para que os jovens possam entender o que está acontecendo com o corpo deles, e quando chegarem à adolescência possam fazer escolhas quanto à sua sexualidade”, argumenta.

Quando mais nova, J.S., de 19 anos, não teve um diálogo com os pais, mas não estigmatiza a sexualidade. “Aprendi sobre sexo com os meus amigos e com a vida. Hoje não vejo mais como um tabu, já virou um assunto normal, pelo menos pra mim”, conta a jovem que, por descuido, hoje é mãe.

A sexóloga aconselha os pais a entenderem suas limitações, buscar informação, e por fim, ouvir o que os filhos tem a dizer, e afirma: “é delicado, mas deve ser um exercício constante”.


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/para-45-dos-jovens-falar-de-sexo-com-os-pais-ainda-e-tabu/
Desenvolvido por CIJUN