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Para diretor da FMJ, telemedicina é assunto delicado e requer cuidado

SIMONE DE OLIVEIRA | 06/02/2019 | 05:05

Médicos brasileiros vão poder realizar consultas on-line, telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de atendimento à distância, conforme a Resolução nº 2.227/18, do Conselho Federal de Medicina (CFM). Já publicado no Diário da União, o texto estabelece a telemedicina como exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde, podendo ser realizada em tempo real ou off-line.

Mesmo com a permissão, especialistas acreditam que é preciso estudar mais sobre o assunto e que haja concordância entre paciente, médico e a família. Para o diretor da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Edmir Américo Lourenço, a telemedicina é um assunto delicado e que requer cuidados porque envolve pessoas e condutas. “Temos que ser cautelosos, uma vez que toda investigação de um caso clínico à distância tem suas limitações e implicações”, acredita.

A unidade ainda ressalta que é importante olhar para o futuro, valorizando ato médico através da interação com o paciente. “Serão necessárias outras discussões sobre o tema com objetivo de manter a boa prática médica e a assistência de qualidade à população”, diz o diretor.

“Essa resolução inicia o debate entre as entidades médicas e a sociedade em geral sobre este importante e complexo tema, tendo em vista que este tipo de ação distância o paciente de seu médico e compromete a relação médico-paciente”, explica.

Para assegurar o sigilo médico, o texto estabelece que todos os atendimentos deverão ser gravados e guardados, com envio de um relatório ao paciente. Outro ponto destacado é a concordância e autorização expressa do paciente ou representante legal por meio de consentimento informado, livre e esclarecido, por escrito e assinado – sobre a transmissão ou gravação de imagens e dados.

O presidente do Sindicato dos Médicos de Campinas e Região (Sindimed), Moacyr Esteves Perche, explica que a resolução atualiza a anterior, de 16 anos atrás. Nesse período, foram criadas e incorporadas ferramentas tecnológicas que estão sendo usadas pelos médicos de diversas maneiras sem regulamentação.

A partir de agora, o médico precisará ler a resolução e verificar se o que estava sendo usado para se relacionar com seu paciente se enquadra em uma das modalidades, e se a forma como estava sendo feita cumpre os quesitos de segurança e qualidade estabelecidos. “Do ponto de vista do sindicato, essa resolução é um avanço, pois estabelece que essa relação é um trabalho médico e que pode ser cobrado.

Por outro lado, não permite que o médico saia por aí atendendo pela internet quando bem entender. É preciso seguir as regras, e a mais importante na questão da teleconsulta é que só pode ser usada na continuidade do cuidado de um paciente que já foi atendido presencialmente pelo médico, seja no consultório, seja em uma visita”, reforça.

De acordo com o texto, a primeira consulta deve ser presencial, mas, no caso de comunidades geograficamente remotas, como florestas e plataformas de petróleo, pode ser virtual, desde que o paciente seja acompanhado por um profissional de saúde. Nos atendimentos por longo tempo ou de doenças crônicas, é recomendada a realização de consulta presencial em intervalos não superiores a 120 dias.

PARTO HUMANIZADO NO HOSPITAL UNIVERSITARIO HU PARTO NORMAL CENTRO CIRURGICO


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