Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Para sindicato, baixo número de funcionários é o maior problema dos Correios

FELIPE TOREZIM - ftorezim@jj.com.br | 14/03/2018 | 02:58

A greve dos Correios expôs a realidade enfrentada pela empresa, segundo o diretor do Sindicato dos Correios de Campinas e Região, Marcel Luis de Oliveira. Para ele, essa foi a grande chance de mostrar à população o principal problema enfrentado: a falta de funcionários. “Hoje, em Jundiaí, temos cerca de 50 funcionários e avaliamos que seria necessário dobrar o efetivo, uma vez que sempre há mutirões com empregados de outras cidades e terceirizados que ficam pouco tempo e não pegam experiência”, avalia o diretor, que ainda informou haver um estudo que indique o número de um carteiro para 3.300 habitantes. “Atualmente está próximo de 12 mil”.

Marcel conta que o último concurso para contratação de novos funcionários foi em 2011. De lá para cá, foram cerca de 10 ondas de demissões. “Esse seria o primeiro passo para começar a melhorar a situação. Muitos funcionários fazem serviços internos e externos e só mais empregados tirariam o acúmulo dos que já estão na empresa e colocariam em dia a entrega das correspondências”, avalia o diretor. Em nota oficial, os Correios informaram que não há deficit de efetivo e que a empresa está adequando a sua força de trabalho considerando a queda dos serviços de mensagens e o crescimento das encomendas. Ao mesmo tempo, está adequando seus processos com a introdução de novas tecnologias e a automação dos fluxos operacionais.

Segurança
O segundo passo para melhorar a qualidade do serviço é o investimento em segurança. “Tivemos um aumento na taxa postal com a justificativa de que haveria melhora nesse quesito, mas não houve mudanças”, afirma Marcel, que revelou ter apenas um carro de escolta na cidade, além de não haver estrutura nas próprias agências. “Nós sabemos que o problema no Brasil é segurança pública, mas deve haver um investimento nessa área para assistir os funcionários e a própria população”.

Atualmente, Jundiaí conta com 11 áreas consideradas de risco: Jardim Torres de São José, Jardim Tamoio, Jardim Tarumã, Vila Nambi, Jardim São Camilo, Ivoturucaia, Caxambu, Jundiaí Mirim, Jardim Roma, Carpas e Cidade Nova. Ainda em nota oficial, a empresa justificou que em algumas faixas de CEPs de Jundiaí há um alto índice de violência e que nestas localidades são adotadas formas diferenciadas de entrega, as quais consistem em entrega com escolta, com prazos dilatados ou por entrega interna (retirada na unidade). Por questões de segurança, os Correios não detalham qual procedimento de entrega é adotado em cada local. A nota ainda ressalta que o problema de violência foge da governabilidade da empresa.

Decisão
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu na segunda-feira (12) que os funcionários dos Correios, que anunciaram greve por tempo indeterminado, terão que começar a pagar parte da mensalidade do plano de saúde da estatal. Esse pagamento irá variar de acordo com a remuneração do funcionário. No ano passado, o Postal Saúde, que é o plano da estatal, teve um prejuízo de R$ 1,8 bilhão, enquanto que a empresa como um todo ficou no vermelho em R$ 1,5 bilhão.


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/para-sindicato-baixo-numero-de-funcionarios-e-o-maior-problema-dos-correios/
Desenvolvido por CIJUN