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Parcela de jundiaienses se dizem insatisfeitos com opções e anula o voto com convicção

CARLOS SANTIAGO | 25/10/2018 | 06:05

Mais de sete milhões de pessoas anularam o seu voto no 1º turno das eleições, em 7 de outubro – o que representou 6,14% dos votos. Outros pouco mais de três milhões de eleitores foram digitando os números para os cargos anteriores a presidente – mas optaram por apertar a tecla branca da urna eletrônica na hora de escolher um candidato à presidência (2,65% do eleitorado).

A quatro dias do 2º turno das eleições que vão apontar o nome do próximo presidente, 10% dos eleitores ainda declaram que votarão em branco ou anularão o voto. Este número consta de pesquisa do Ibope divulgada na última terça-feira. Há, ainda, outros 3% que responderam não saber em quem votarão.

Curioso é que, se grande parte do eleitorado sabe em quem votar, aqueles que afirmam que vão anular o voto também garantem que o farão por convicção. “Não adianta, não me sinto representada por nenhum desses dois que estão aí”, diz a técnica em enfermagem Lúcia Soares Vidi, de 38 anos.

“Eu me recuso a votar em um candidato que mais mete medo do que desperta simpatia”, comenta o estudante de Logística Henrique Lopes, de 19 anos. “Algumas pessoas na minha turma ficam me ‘enchendo’ e dizendo que tenho de votar no cara do PT. Mas eu não acho que ele vai governar, de verdade, se for eleito. Então, não voto em nenhum dos dois”, prossegue o jovem.

Henrique e Lúcia fazem parte de um percentual que está presente na história recente da política nacional. Desde que as eleições diretas para presidente foram restauradas, em 1989, os votos nulos e brancos sempre surgiram com força, mostrando que uma parcela da população não se satisfaz com as candidaturas.

Em 1989, 5,59% anularam o voto, abdicando de escolher entre Collor e Lula. O percentual de nulos foi subindo nas eleições seguintes (9,46% em 1994; 10,98% em 1998) até cair em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva alcançou a presidência, depois de tentar nas três eleições anteriores.

Também as abstenções causam preocupação entre os analistas. O percentual já chegou a ser de 22,54 em 1998 – e fica, historicamente, rondando a casa dos 20%. O assunto foi, até, objeto de uma tese de Doutorado em Ciências Sociais – apresentada por Homero de Oliveira Costa e intitulada ‘Alienação eleitoral no Brasil: votos nulos, brancos e abstenções nas eleições presidenciais de 1989 a 2002’.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 40 milhões de pessoas não compareceram às urnas, anularam o voto ou votaram em branco. O professor de Ciências Polícias e Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Homero de Oliveira Costa, tem uma expectativa de diminuição dos brancos e nulos – e de um aumento das abstenções, no segundo turno.

Ele explica um dos possíveis motivos para isso: “O candidato não eleito de um eleitor pode fazê-lo não ir às urnas – e quem vai, geralmente vai com a ideia de votar em algum candidato”.  Ele lembra, ainda, outros fatores para o aumento da ‘alienação eleitoral’: o cenário de descrença nas instituições, um Congresso “pessimamente avaliado pelos eleitores” e os desdobramentos da Lava Jato.05

Nas sete cidades que compõem o Aglomerado Urbano de Jundiaí, o índice de abstenções foi de uma média de 19,41% – com médias de 3,33% de votos brancos e de 6,97% de votos anulados. Quem mais anulou foi Cabreúva (com 7,25% dos votos para a presidência), enquanto os eleitores de Louveira foram os que menos anularam votos para presidente, com 5,75% no primeiro turno.

Foto: reprodução/internet

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