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Parceria entre Prefeitura de Jundiaí e Ateal reforçam desenvolvimento de surdos

VINICIUS SCARTON | 12/10/2018 | 06:03

Estudante do 4ºB da Emeb Marly de Marco Mendes Pereira, no Fazenda Grande, Jyan Henrique Lopes Montanheiro tem 10 anos e muita disposição. Apontado como um dos mais comunicativos alunos da escola, poucos diriam que o menino tem de enfrentar, diariamente, uma série de limitações físicas: ele nasceu com hidrocefalia, é praticamente cego de um olho e é surdo.

 

“Nada disso o impede de ser uma criança feliz. E a nítida melhora em seu desenvolvimento e no aprendizado na escola é graças ao apoio da intérprete de Libras que o acompanha”, conta a mãe Luciana Lopes da Silva. Segundo ela, há alguns anos o filho mal conseguia se expressar e apenas apontava quando queria algo. “Com o apoio que recebemos na escola e também na Ateal, hoje nossa comunicação é toda em Libras e isso facilita muito em todos os aspectos”, diz.

Jyan tem acompanhamento de um intérprete pela manhã na Emeb e no período da tarde frequenta a Ateal. Atualmente, 20 especialistas em Libras da instituição atuam no sistema municipal de ensino, não só nas Emebs, mas também no Ensino de Jovens e Adultos (EJA).

“Além do efeito positivo causado na criança, a presença de uma intérprete de Libras na escola reflete em toda a comunidade”, garante a diretora da Emeb, Marjorie Samira Ferreira Bolognani. “Os outros alunos se interessam em aprender para se comunicar com o Jyan e isso é importante porque eles podem utilizar o conhecimento adquirido fora da escola quando têm de interagir com um surdo”, afirma.

A diretora destaca ainda o apoio e envolvimento da família. “Os pais recebem apoio da Ateal e ajudam muito o filho em casa. Forma-se um triângulo ‘escola-instituição-lar’ que é crucial para o entendimento das necessidades da criança. Por isso os resultados são tão impressionantes.”

Segundo a Unidade de Educação, das 650 crianças com deficiências diversas atendidas pelo sistema municipal de ensino, 7% têm deficiências auditivas (sendo 17 surdos usuários de Libras), 30% com deficiência intelectual, 25% com transtorno do espectro autista, 9% com síndrome de Down e 9% com mobilidade reduzida, além de 20% de deficiências únicas (diagnósticos raros).

O diretor do Departamento de Educação Inclusiva, Adauto Douglas Parré, explica que o intérprete é necessário mesmo nos casos em que o professor é fluente em Libras, uma vez que ele não consegue dar aula em português e no idioma dos surdos ao mesmo tempo. “Além disso, o material fornecido nas escolas é em português, então, o intérprete faz a tradução e escolhe também imagens que entende adequadas para contribuir com o aprendizado. É uma parceria de cinco anos que vem gerando resultados muito significativos”, frisa.

Foto: divulgação

Foto: divulgação


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