Jundiaí

Passageiros reclamam de frota reduzida no transporte urbano


ONIBUS URBANO TERMINAL CENTRAL LUCAS HENRIQUE BARAGO
Crédito: Reprodução/Internet
Desde março, depois do anúncio da pandemia do coronavírus, 50% da frota de ônibus em Jundiaí foi reduzida, em especial pela baixa procura dos usuários uma vez que os estabelecimentos comerciais, obedecendo aos decretos municipal e estadual, atendem o isolamento social. A queda tem deixado o usuário preocupado, principalmente aquele que não teve a opção de ficar em casa e precisa encarar o coletivo diariamente. Os cidadãos que dependem do transporte público para trabalhar ou resolver assuntos pessoais têm de lidar com a demora e a lotação nos coletivos. Irenilda Torres, de 45 anos, é auxiliar de serviços gerais e precisa sair todos os dias de Cabreúva para trabalhar em Jundiaí. “Os horários estão ruins. Está muito cheio e não dá para respeitar a distância. Tanto esse ‘amarelinho’ quanto o Rápido Luxo, que eu utilizo, estão sempre lotados”, reclama. Ela espera que os horários sejam normalizados. “Não queremos ter problemas no trabalho porque o desemprego já está grande”, diz a auxiliar. Assim como Irenilda, a cuidadora de idosos, Maria Moura, de 50 anos, depende do transporte público para ir ao trabalho. “Além da demora, tanto de manhã, quanto agora à tarde, está cheio” diz ela. O barbeiro Lucas Henrique Varago, de 22 anos, não está trabalhando, mas precisou utilizar os ônibus para pagar contas. “Normal já é ruim, mas agora piorou. Moro em Ivoturucaia e lá demora demais” queixa-se. Sobre o espaçamento dos horários, Lucas diz que a demora aumentou. “Eu trabalho na Vila Ana, cheguei 9h no terminal e fui pegar o ônibus só 9h50”. DENÚNCIA O motorista de aplicativo Anderson Roberto da Silva, de 39 anos, trabalhou por cinco anos como cobrador nos ônibus circulares de Jundiaí. Segundo ele, os passageiros que precisam pagar em dinheiro ficam em uma aglomeração de 15 pessoas em um espaço de dois metros quadrados. Ele relata ameaças e coerções feitas por passageiros que não pagam a passagem, principalmente depois da obrigatoriedade do pagamento em dinheiro ser feito apenas nos terminais. “O motorista, com medo de se arriscar, não fala nada”, revela. Anderson diz que quase foi agredido fisicamente por diversas vezes quando questionava pessoas que entravam pela parte de trás do ônibus e não pagavam a passagem. “Em Jundiaí, paga quem quer, quem é honesto”. O ex-cobrador diz ainda que as empresas de ônibus foram tirando a cobrança em dinheiro das passagens nos ônibus para evitar assaltos, mas é algo muito raro. “Eu fiquei cinco anos como cobrador e nunca vi nada”, referindo-se aos delitos. COBRANÇA Para o usuário Vitor Muntz, também usuário do transporte público, mandou um e-mail para a redação do Jornal de Jundiaí com reclamações sobre a situação atual do serviço. “Os ônibus em Jundiaí estão cada vez mais lotados, principalmente do Eloy Chaves para o Centro. Os intervalos chegam a 40 minutos ou mais. Pela manhã, também vi ônibus no Centro, vindo do Colônia, superlotados. Como nós, que precisamos trabalhar, vamos evitar aglomeração se os ônibus estão cheios?” Procurada, a Unidade de Gestão de Mobilidade e Transporte (UGMT) informa que acompanha permanentemente o funcionamento dos terminais, bem como o fluxo de passageiros nos ônibus por meio de análise dos fiscais. Nos últimos dias foi identificado um aumento da movimentação de pessoas nos terminais, o que é atípico, uma vez que o comércio não essencial está fechado obedecendo os decretos estadual e municipal, em razão da pandemia do covid-19 e por isso trabalha em parceria com as empresas concessionárias na identificação dos pontos de maior movimentação e inclusão de carro adicional para atender a demanda. Segundo a unidade, as reavaliações são permanentes em toda a as linhas para ajustes necessários. Já foi solicitado mais motoristas para aumentar as viagens.

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