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Pastor e padre se reúnem para ajudar famílias de detentos no CDP

COLABORAÇÃO LIGIA ANDRADE | 25/12/2018 | 05:05

Há cerca de dois anos, o padre Clóvis Fontenla e o pastor Ricardo Salles, deixando de lado divergências religiosas, uniram-se para ajudar famílias de detentos no Centro de Detenção Provisória de Jundiaí. Com palavras de esperança e acolhimento, os representantes da igreja católica e evangélica conseguiram levar um pouco de paz para trás das grades e cadeados do CDP Marcos Antônio Alves Bezerra. A iniciativa inesperada e, inicialmente, incerta, teve grande sucesso, e consegue hoje fornecer alimento e acolhimento às famílias dos detentos.

Enquanto as mães passam pela revista dos policiais antes de visitarem os detentos, seus filhos são entretidos com atividades em um espaço lúdico, no qual o pastor e outros profissionais, como psicólogos e pedagogos, ajudam as crianças a enxergar algo positivo além da negatividade das prisões. “As crianças ficam 20 minutos esperando a revista. É um ambiente que, para elas, é bem estressante, e nós estamos ali com brincadeiras, livros infantis e desviamos um pouco essa tensão. Quando as crianças sobem a rua, elas já correm para nos encontrar”, comenta o pastor. Nos espaços lúdicos, além de se divertirem, algumas crianças pedem orações às suas famílias e outras são encaminhadas para ajuda psicológica.

O padre recebe mulheres, filhos e parentes de presos que aguardam o horário de visita ao redor do CDP. Para isso, mais de cem colchões foram alocados dentro da capela, ao lado do presídio, para que todos pudessem passar a noite ali. O padre conta que muitas vezes o local chega a encher e, esporadicamente, duas pessoas têm de dividir o mesmo colchão. Antes da iniciativa do católico e do evangélico, as famílias tinham de pernoitar à beira da estrada, devido à distância entre o CDP e a cidade. Além do acolhimento, doações proporcionam jantar e café da manhã a todos.

Padre Clóvis conta que, anteriormente, a Pastoral cuidava apenas dos presos. Entretanto, ao perceber o desejo dos funcionários de receberem celebrações religiosas e a necessidade de abrigo às famílias, essas atividades também apareceram. “Os presos que são soltos passam na capela e recebem alguma orientação e, se estão sem rumo, vão para Campo Limpo, na comunidade Santa Luzia, e ficam por lá. Há também esse encaminhamento”, explica o padre, comentando sobre as formas usadas para ajudar, de alguma maneira, detentos e seus familiares.

Durante a semana, o evangélico e o católico dão aulas de teologia aos detentos, levando-os a uma espécie de sala de aula do CDP. Lá, são discutidas passagens cristãs, relevando as divergências entre as duas religiões e seguindo, acima de tudo, a fé cristã.

Para o diretor do presídio, Alexandre Apolinário, a união entre padre e pastor cria uma energia importante para a ressocialização do preso à sociedade: “Aqui nós temos algo ímpar: as instituições religiosas trabalham juntas, cada qual defendendo sua religiosidade, mas em prol do mesmo objetivo: a ação social. E isso é benéfico, porque a soma de forças nos auxilia na reintegração social do preso”.

Para o Natal, foi realizada uma missa no dia 19, que levou mais de 2.000 panetones aos detentos e aos funcionários do CDP. Frutos de doação, foram abençoados pelo bispo Dom Vicente Costa, que celebrou o ato ecumênico junto ao pastor Ricardo e ao padre Clóvis. “Paz, esperança e alegria!”, desejaram os religiosos. De mãos dadas, uma oração foi conduzida pelos presos, seguida pela cantoria de “Noite Feliz” que encerrou a celebração.

De volta à rotina muitas vezes cruel, o padre Clóvis e o pastor Ricardo continuam a missão de acolher mães e filhos no Centro de Detenção Provisória. Evangélicos, católicos ou de qualquer outra religião, todos aqueles que um dia dormiram à beira da estrada ou choraram pela falta de suas mães aos redores do CDP, hoje têm quem olhe e ore por eles.

ATO ECUMENICO NO CENTRO DE DETENCAO PROVISORIA DE JUNDIAI CDP


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/pastor-e-padre-se-reunem-para-ajudar-familias-de-detentos-no-cdp/
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