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Paulista e a maior conquista de sua história centenária

Adilson Freddo | 14/12/2019 | 10:04

Vice-campeão estadual em 2004, o clube manteve a sua boa base e, no ano seguinte, veio a recompensa.

Comandado por Vagner Mancini, mostrou força para se impor em casa e conquistou o maior título de sua história que começou em 17 de maio de 1909. Os goleiros Rafael e Vitor, o zagueiro Rever, o volante Cristian e o meia Márcio Mossoró se destacaram naquele 2005.

Até chegar à decisão contra o Fluminense, no estádio de São Januário, o Galo na primeira fase segurou um empate por 1 a 1 contra o Juventude, depois de vencer o mesmo adversário por 1 a 0 em Jundiaí.

Classificado, o time voltou para o hotel e entrou na piscina às duas horas da manhã apesar da temperatura nada convidativa.

Contra o Botafogo foram dois empates: 1 a 1 em Jundiaí, e 2 a 2 no Maracanã. Os jornais cariocas estamparam suas manchetes: “ Mais uma eliminação”; outra: “Rotina de vaias”. O Jornal de Jundiaí manchetou: “Empate heróico garante o Paulista na Copa do Brasil”.

Na sequência, no estádio Beira-Rio, aconteceu o primeiro duelo contra o poderoso Internacional e o seu maior ídolo, o saudoso atacante Fernandão. O time de Jundiaí criou várias chances, até que, aos 39 minutos do segundo tempo, veio castigo. Falta cobrada pelo meia Jorge Vagner e gol.

Entre um jogo e outro, o meia Ricardinho se transferiu para o próprio Inter; o zagueiro Danilo foi para o Atlético-PR; Thiago Mathias se acertou com a Ponte Preta; e Davi ficou sem contrato.

Foi com a ajuda de comerciantes da cidade que adquiriam ingressos e fizeram promoções para seus clientes que, naquela noite de 5 maio, o estádio Jayme Cintra lotou. Dentro das quatro linhas, vitória por 1 a 0, gol de Juliano. A vaga seria decidida nos pênaltis, com o Galo vencendo por 4 a 2.

Quartas de Final
O Figueirense foi o adversário das quartas-de-final. Havia eliminado o Corinthians. Na primeira batalha, em Florianópolis, os catarinenses venceram por 1 a 0, com o volante Cristian expulso. Na volta, em Jundiaí, para um público de 13.508 torcedores coube ao lateral-direito Lucas marcar o gol da vitória. Nos pênaltis, vitória jundiaiense por 3 a 1.

A Reta de Chegada
Jogando em casa, o adversário seria o Cruzeiro pelas semifinais. O jovem zagueiro Rever entrou no lugar do capitão Anderson com a difícil missão de marcar o artilheiro Fred e não decepcionou, mesmo com o gol dos azuis anotado pelo craque. Com gols de Cristian, aos 4 minutos do primeiro tempo, Mossoró, aos 10, e Jéferson, aos 42 do segundo, a próxima batalha seria no Mineirão.

No dia 1º de junho como se esperava, o Cruzeiro veio para cima com tudo e foi marcando seus gols com Kelly e Fred por duas vezes. No intervalo, Mancini e seu auxiliar Vagner Lopes pediram calma ao grupo e lembraram da partida decisiva da Champions League entre Milan e Liverpool uma semana antes. Naquele dia, os milaneses venciam por 3 a 0 e levaram o empate na etapa final. Nos pênaltis, o Liverpool venceu e foi à final do mundial de clubes

De volta para a etapa final, o time de Jundiaí precisaria marcar dois gols e não tomar. E eles vieram nos pés de Cristian, ambos de falta contra o experiente goleiro Fábio.

A primeira batalha
Chegou a hora da decisão com o primeiro duelo previsto para Jundiaí. Contrariado, o Fluminense, que desejava que a partida fosse no Pacaembu, em São Paulo, começou a ser derrotado nos bastidores. Detentora dos direitos de transmissão, a Rede Globo interveio, e enviou sua equipe técnica para ver as condições gerais do estádio tricolor. O laudo foi favorável, e o Jayme Cintra foi o palco.

Para esta partida foi escalado André Leonel no lugar de Finazzi, que havia deixado o clube, queixando-se de pagamento. Soube-se mais tarde, é que o centroavante não concordou em ficar no banco. Dentro do estádio estavam mais de 15 mil. No rádio e na tevê, outros milhares.

A vitória veio com os rápidos e baixinhos, Márcio Mossoró e Léo. No primeiro gol, Mossoró arrancou pelo meio e fulminou as redes de Kléber aos dois minutos da etapa final. Aos 38, após cruzamento do lateral Fábio Vidal, foi a vez de Leo fazer 2 a 0.

Título na casa do Eurico
Com o Maracanã em reformas, a decisão foi para São Januário, estádio do Vasco. O folclórico presidente cruzmaltino, Eurico Miranda deixou um recado aos jundiaienses: “Vocês tratem de ser campeões, senão apago os refletores, pois não quero inimigo fazendo festa na minha casa”.

Foi a noite do goleiro Rafael contra a equipe do técnico Abel Braga. O empate por 0 a 0 valeu a memorável conquista da Copa do Brasil em 2005 e a vaga para Libertadores de 2006.

Na festa, a presença do ‘Pai da Matéria’

Se para o Paulista Futebol Clube a conquista da Copa do Brasil foi um momento mágico na sua história, digo o mesmo para mim. Afinal, na festa de apresentação do troféu para a torcida, na sede central do Clube Jundiaiense, fui praticamente “intimado” pelo vice-presidente Luís Roberto Raymundo, o Pitico, para assumir o microfone. Aceitei de pronto, claro.

Foi uma noite memorável, quando eu também me senti homenageado, sendo cumprimentado pelos presentes, em especial pelo zagueiro Anderson, capitão do time. A casa ficou lotada.

E, para levantar a galera, tratei logo de chamar ao meu lado um ídolo, talvez o maior narrador esportivo que o rádio brasileiro já produziu, o ‘Pai da Matéria’, Osmar Santos, que estava sentado ao lado do falecido comentarista jundiaiense Luís Augusto Maltoni. Ambos foram companheiros na Rádio Globo por muitos anos nas transmissões dos jogos de futebol.

Sabidamente, foi após um acidente de carro em dezembro de 1994 e que quase lhe ceifou a vida, que Osmar perdeu parte dos movimentos, inclusive a fala. Osmar caminhou bem devagar ao meu lado acenando com a mão esquerda para a plateia, escorado numa bengala, enquanto eu cantarolava seus jingles e vinhetas.

“ Ô,ô,..Osmaar Santos..” Ou então: “Osmar Santos vem aí,..garoto bom de bola..” Só faltou ele dizer o bordão que usava na época: ‘Cheguei, garotinho…”

Osmar e eu tomamos muitos cafés juntos na Padaria Nova das Palmeiras, quase em frente ao prédio da emissora na Rua das Palmeiras. Hoje nem padaria, nem rádio, estão mais por lá, pois mudaram de endereço.

Já faz algum tempo que Osmar pinta quadros. Assim continua mexendo com a imaginação das pessoas de outra forma, como nos bons e velhos tempos das suas incomparáveis narrações.


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