Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Paulista: Técnico e gerente negros são capítulo especial na história

Thiago Batista | 22/10/2019 | 07:00

Não é a primeira vez que o Paulista tem como técnico um negro. Beto Cavalcante e Stélio Metzker recentemente estiveram no banco de reservas do Galo. No entanto, essa é a primeira vez que o clube consegue o acesso com um treinador negro no comando.

Além disso, nesta temporada o clube ainda tem um gerente de futebol negro. Edson Fio, técnico, e Zé Carlos, gerente, ajudaram a montar o time que conquistou no final de semana o acesso à Série A3 do Paulistão. Um feito que entra na história do clube e ambos sabem do tamanho do feito.

“É a maior vitória da minha carreira, até pela forma como fui recebida, por ser negro. É uma vitória minha e do Zé. Até conversei com ele sobre como é raro ter um técnico e um gerente de futebol negros no Brasil”, conta Fio. “O Roger (técnico do Grêmio) levantou na semana passada essa bandeira. Somos poucos e a gente espera muito a valorização e o prestígio que merecemos”, completa.

“Quando fomos apresentados, era uma outra diretoria e ficou claro uma grande desconfiança, algo do tipo: quem são eles. Hoje eu e o Edson damos muita risada dessa situação. Aquilo incomodou muito a gente. Mas é no dia a dia que se mostra a verdadeira capacidade”, lembra o gerente.

O treinador do Paulista conta que, mesmo com a equipe em boa base, sofreu com atos racistas por parte de um torcedor do clube. “Começo do campeonato, equipe com oito vitórias consecutivas e teve torcedor com coragem de nos xingar. Se fosse qualquer outra pessoa não estaria xingando”, disse. “Esse que me xingou ficou aqui um dia me esperando na portaria para falar comigo e não tive oportunidade de encontrar, mas aceito as desculpas”, lembra Fio.

Zé Carlos conta que uma das suas referências no mundo do futebol é o ex-zagueiro do São Paulo, Ronaldão, Ele foi gerente da Ponte Preta.

Zé ainda conta que outros treinadores negros campeões no futebol brasileiro tiveram poucas oportunidades. “O futebol foi cruel com Andrade e com Jayme de Almeida. Dois que pegaram o Flamengo quando ninguém queria e foram campeões, mas depois chutaram a bunda deles”, afirma.

Para ambos, o futebol pode ajudar no combate ao racismo. “O futebol é apenas um ladrilho na parede do preconceito. Mas é o esporte mais praticado no mundo. E quem tem o poder na caneta pode mudar isso. Tem que vir de cima para baixo”, diz Zé Carlos.

“Futebol tem muita força no Brasil. Ele pode mudar muita coisa e podemos sim levantar essa bandeira”, aposta Fio.

Fotos: Alexandre Martins e Gustavo Amorim


Leia mais sobre |
Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/paulista-tecnico-e-gerente-negros-sao-capitulo-especial-na-historia/
Desenvolvido por CIJUN