Jundiaí

Plantas alimentícias na mesa das EMEBs


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Crédito: Reprodução/Internet
Jundiaí será uma das primeiras cidades do mundo a incluir plantas alimentícias nas refeições de escolas do município. As Plantas Alimentícias Não Convencionais, conhecidas como PANCs, são ricas em vitaminas e nutrientes e passarão a fazer parte da alimentação das crianças das escolas, a partir de setembro, pela Unidade de Gestão de Educação (UGE), com projeto desenvolvido pelo Departamento de Alimentação e Nutrição. Os funcionários das escolas municipais passaram por processo de capacitação durante todo mês de agosto, para o uso, plantio e ensino às crianças sobre as ervas, encontradas facilmente em canteiros e jardins. "As plantas alimentícias não convencionais ou plantas tradicionais são hortaliças que estão fora da cadeia atual de produção de alimentos, mas com uma enorme qualidade nutricional, por apresentar altos níveis de fotoquímicos (uma nova categoria de nutrientes que ação antioxidante e anti-inflamatória) além altos teores de macro e micronutrientes comparado as hortaliças convencionais (alface, escarola e etc)", explica a diretora do departamento de alimentação e nutrição, Angela Delgado. O projeto, denominado ‘Inova na Horta’, que faz parte do Programa Escola Inovadora, tem por objetivo agregar valor nutricional à alimentação das crianças além de difundir conhecimento às famílias. Atualmente, 78 escolas contam com o Projeto Horta Escolar e 30 delas já estão plantando PANCs. "Atingimos aproximadamente 8 mil alunos. As PANCs estão em nosso cardápio 1 a 2 vezes por semana em todas as creches e escolas integrais, a ideia é ampliar para todas as escolas até meados de 2020", concluiu Angela. De acordo com a Gestora de educação do município, Vasti Ferrari, o projeto também é de suma importância por poder alterar a rotina das crianças em suas casas, pois o projeto leva o conhecimento até os pais. “Nós conseguimos promover uma cultura de alimentação natural e orgânica também dentro das famílias, porque as crianças são promotoras desse movimento”, explica Vasti. Alunos da Emeb Professor Oscar Augusto Guelli, Isabela Santos Siqueira e Josep Gomes Cacozzi, ambos com 6 anos e moradores do Caxambu, aprovam a merenda com as PANCs. “Eu gosto de comer azedinha na salada, é parecida com pimenta. É ardida e gostosa. Depois que comecei a comer aqui na escola, a minha mãe também começou a fazer em casa”, comenta Isabela. Josep Gomes gosta das verduras, além do alface e tomate. “A capuchinha é gostosa. Gosto de comer a flor. Mas na merenda, tudo o que tem é gostoso”, conta o menino. De acordo com as cozinheiras da unidade escolar, Joana Chaves e Camila Aguiar, além da questão nutricional, a inclusão das PANCs na merenda é muito importante para o conhecimento das crianças sobre as plantas que elas provavelmente nem sabiam da existência. “Elas gostam de novidades. Essas plantas são muito conhecidas e usadas há centenas de anos. Cresci comendo azedinha”, comenta Joana, que é uma das responsáveis pelo preparo da alimentação das crianças. O trabalho que inspirou a atuação na cidade foi desenvolvido em uma escola de São Paulo. De acordo com Guilherme Reis Ranieri, do Instituto Kairós, órgão responsável pela implementação do projeto Inova na Horta, o projeto está pronto para ir às escolas, mas ainda existem melhorias que podem ser feitas de acordo com cada situação. “Entre as 20 espécies já plantadas, será feita a seleção daquelas que mais se adequam à realidade das escolas e ao paladar das crianças. Desta forma será estabelecido o valor nutricional agregado à alimentação. Há plantas que, com apenas uma colher, é possível enriquecer em 10 vezes o valor nutricional de um prato”, detalha Guilherme.

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