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Polícia investiga pelo menos 15 tipos de golpes

FÁBIO ESTEVAM | 07/08/2019 | 05:00

Na tarde de ontem (06) uma auditora fiscal procurou o 1º DP de Jundiaí para registrar boletim de ocorrência sobre uma nova modalidade de golpe, difícil de ser combatido pela polícia, e que vem entupindo as delegacias. Ela contou que depois de fazer o anúncio da venda de seu carro num site especializado, um homem entrou em contato, bloqueou seu aplicativo de whatsapp por 12 horas e durante esse tempo teve acesso a seus contatos, se passando por ela para fazer pedidos de empréstimos. Dois dos amigos contactados pelo bandido caíram no golpe e fizeram transferências de R$ 2,5 mil e 1,6 mil. Este é um de pelo menos 15 tipos de golpes que estão sendo aplicados atualmente por criminosos, que usam meios eletrônicos ou mesmo presenciais para agirem.

Vítima, a auditora Juçara André, de 36 anos, chegava na delegacia para registrar a ocorrência justamente no momento em que a equipe de reportagem entrevistava o delegado Josias Guimarães sobre este e outros tipos de golpes. “Assim que eu fiz o anúncio da venda do meu carro, recebi uma ligação, de um homem que se apresentou como representante do site de vendas. Me parabenizando pelo anúncio, pediu que eu passasse a ele um número que eu iria receber. Com esse número ele teve acesso ao meu celular e nem falou mais comigo. Desligou o celular. Logo vi que, estranhamente, meu whatsapp estava bloqueado e pensei; ‘caí num golpe’”, disse ela.

Não muito tempo depois uma amiga de Juçara, que mora em Brasília-DF, telefonou para ela para avisar que havia conseguido fazer a transferência bancária solicitada por ela. Pouco tempo depois um amigo, este morador em São Paulo, também ligou para comunicar o sucesso na transferência. Na delegacia, Juçara estava acompanhada de outro amigo, Leonardo Campanholo, que por pouco não se transformou na terceira vítima. “A Juçara havia acabado de me ligar avisando sobre o problema. Então eu até cheguei a conversar com o criminoso, fingindo não saber de nada, e em determinado momento perguntei o número da conta para a qual eu teria que fazer o depósito. Ele não respondeu mais, acho que desconfiou”.

Vários Casos
Entre os boletins de ocorrência registrados no plantão da noite de segunda-feira (05) e madrugada de ontem, também havia uma ocorrência semelhante. De acordo com o policial Xororó, do 1º DP, a sua delegacia tem recebido de cinco a seis registros por semana desse mesmo tipo de crime.

De acordo com o delegado Josias Guimarães, trata-se de um golpe difícil de ser combatido. “As contas que esses criminosos fornecem para que as vítimas transfiram dinheiro, geralmente são de amigos, que eles mesmos enganaram, dizendo que era só para receber um determinado valor. O amigo aceita ajudar, recebe o dinheiro em sua conta, e acaba sendo identificado e indiciado pelo crime”, relata o delegado. “Por isso é importante nunca aceitar receber dinheiro na própria conta. Se for um golpe e o dono da conta for identificado, ele será indiciado”.

Guimarães disse ainda que geralmente os criminosos são de longe, de outros estados, o que praticamente torna impossível a investigação e identificação dos bandidos.

Por fim, ele faz um alerta: “não clique em links suspeitos enviados para seu celular, e não envie senhas, códigos ou número de documentos para estranhos”.

Idosos são os principais alvos dos golpistas

Dentre os 15 tipos de golpes mais aplicados no momento, de acordo com o delegado do 1º DP, Josias Guimarães, está o do motoboy que busca seu cartão de banco com a senha da conta, em sua casa. “Esse já vem sendo aplicado há bastante tempo e está entre os mais praticados. Os alvos geralmente são pessoas idosas, que frequentemente caem com facilidade”, diz.

“Eles telefonam na casa da pessoa se passando por representante da agência bancária, dizendo que tentaram fazer um saque da conta dela, sem sua permissão. Para ‘ajudá-la’, eles informam que vão bloquear a conta dela para impedir saques indevidos. Para isso, pedem que ela coloque o cartão de banco em um envelope com a senha da conta, e ainda alertam para que a pessoa lacre muito bem o envelope”, conta. “Aí dizem que um motoboy, do banco, passará na casa dela para recolher o envelope. Depois, com a senha, até que a pessoa descubra sobre o golpe os criminosos fazem saques e compras”, alerta.

Visando atingir principalmente as pessoas idosas, o Conseg (Conselho de Segurança) Barão de Jundiahy está produzindo uma cartilha explicando os principais tipos de golpes e com dicas de como as pessoas não caírem neles. “Já temos um material bem rico, porém encontramos uma dificuldade na produção; todos os dias os bandidos criam novas formas de enganar as pessoas, tornando alguns dos golpes que nós já introduzimos na cartilha, obsoletos. Ainda estamos tentando encontrar uma forma de resolver isso”, disse o presidente do Conseg, José Henrique de Oliveira Coelho.

Uma das dicas é para que os filhos de pessoas idosas conversem com seus pais sobre os tipos de golpes e assim alertá-los para que não se tornem vítimas.

Assim que as dicas foram publicadas, serão disponibilizadas também no JJ.


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