Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Por conscientização, estudantes vão debater Maria da Penha

CARLOS SANTIAGO | 31/08/2018 | 05:15

Mais de um milhão de agressões cometidas contra mulheres em todo o País; 13,5 mil casos de feminicídio (crimes cometidos porque a vítima é mulher). Esses números, aliados aos fatos que o próprio vereador Wagner Ligabó (PPS), como médico, presenciou ao longo de anos de consultório médico, fizeram com que o parlamentar apresentasse, na última sessão ordinária realizada na Câmara de Jundiaí, um projeto de lei (PL) propondo a instituição de um Programa de Mobilização e Conscientização sobre a Lei Maria da Penha.

O PL (número 12.559/18) foi aprovado pela unanimidade dos vereadores e as escolas jundiaienses, sejam públicas ou privadas, passarão a partir de 2019 a ter um mês de agosto em que a violência contra a mulher estará em discussão. O mês foi escolhido porque, em agosto de 2006, foi sancionada a Lei Federal 11.340 que, depois, seria conhecida como “Lei Maria da Penha”.
Além dos números nacionais da violência contra a mulher, Jundiaí e Região também registram, nos últimos meses, ocorrências – e quatro feminicídios na cidade e região.

Dr. Ligabó, ao defender a necessidade da aprovação do projeto instituindo o programa de conscientização sobre a Lei Maria da Penha, lembrou que ele próprio, como médico, presenciou, em seu consultório, casos em que mulheres chegavam apresentando manchas, dores e outros sintomas que davam a entender que as pacientes haviam sofrido algum tipo de violência. Na maioria dos casos, eram agressões dos respectivos companheiros, dentro de casa.  “Nós precisamos lutar por uma mudança de conscientização da sociedade brasileira. E esse Programa leva informação e debate para nossos alunos, para nossas crianças e jovens. A partir daí, essa informação pode chegar aos pais”, defende o parlamentar do PPS.

Ele tem, na ponta da língua, a história de sofrimento da enfermeira cearense Maria da Penha Maia Fernandes – que sofreu espancamentos e sobreviveu a duas tentativas de homicídio provocadas pelo então marido, o colombiano Marco Viveros. “Esse colombiano tentou matar Maria da Penha de forma bárbara duas vezes. Na primeira, atirou enquanto ela dormia e ela escapou, mas ficou paraplégica. Na segunda, ela estava em uma banheira, após retornar dos meses de internação hospitalar. O sujeito tentou eletrocutar a própria mulher”, contou o vereador.

O colombiano só foi julgado após pressão feita por organismos internacionais. Viveros já está solto. Enquanto isso, na Região, os casos de agressões e crimes cometidos contra a mulher vão se somando. Num dos casos de maior repercussão em Jundiaí, uma frentista foi atropelada pelo desafeto. Não satisfeito, ele deu marcha à ré no carro, passando sobre ela outra vez. O sujeito foi julgado em junho último e condenado a 32 anos de prisão.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/por-conscientizacao-estudantes-vao-debater-maria-da-penha/
Desenvolvido por CIJUN