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Praticidade dos celulares leva usuários a abrirem mão dos fixos; o orelhão, então..

katia appolinário, especial para o Jornal de Jundiaí | 09/04/2018 | 06:48

Com a portabilidade dos celulares, o telefone fixo se tornou para muitos um item dispensável. Segundo a Anatel, de janeiro de 2017 a janeiro deste ano, 1.150.579 linhas de telefones fixos foram desativadas, o que corresponde a 2,75% de redução. Maria Lúcia dos Santos, de 56 anos, está sem telefone fixo há dois meses, mas não por escolha própria. “Meu telefone queimou com as chuvas fortes, e só depois disso é que eu percebi como o fixo faz falta”, conta a balconista que, acha cômodo o uso da linha fixa, principalmente para resolver pendências bancárias e agendar consultas médicas. “As vezes eu preciso fazer uma ligação mais longa, e o crédito do celular acaba bem no meio da conversa, aí começo tudo do zero. Isso atrapalha muito”, reitera. Não é o que pensam as jovens Cinthia Martins, de 22 anos e Joana D’Arc de Santana, de 27. “Se levarmos em conta tudo o que o celular faz, o fixo já não é mais tão eficiente.”“Se o celular estiver sem crédito, com certeza haverá algum aplicativo que atenda a minha necessidade”, argumentam respectivamente.

USO DO TELEFONE PUBLICO ORELHAOCINTHIA MARTINS

Cínthia Martins. Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

 O aposentado Júlio Batista, de 57 anos, ao contrário de Maria Lúcia, decidiu se desfazer do telefone fixo há seis anos. “Não compensava pagar caro, por um serviço que mal usávamos”, afirma, valendo-se de que além de passarem um curto período em casa, toda sua família, na época, já se comunicava assiduamente através do celular, seja por ligações ou por meio da troca de mensagens de texto.

Nem a favor nem contra o fixo, Geni Mendes da Rosa, de 70 anos, conta que há anos não tem mais telefone em casa, e devido à localidade em que reside, mal pode contar com o telefone móvel. “Eu moro na Serra do Japi e lá nem o celular tem sinal, então se eu preciso marcar uma consulta, resolver alguma pendência, eu acabo vindo para a cidade e soluciono pessoalmente”, conclui a senhora alegando que o celular, mesmo com suas vantagens, ainda apresenta limitações e defasagens.

Se o fixo caiu em desuso, imagine os 1.635 orelhões espalhados pela cidade. O público mais jovem, por exemplo, mal sabe o que são fichas telefônicas. Mas, ainda há quem recorra aos aparelhos pré-históricos em caso de necessidade. Sandra Rodrigues, de 36 anos, opta pelo orelhão por uma questão de privacidade. “Às vezes não quero que meu número seja identificado, então prefiro usar os telefones urbanos. Me sinto mais segura, e não fica caro”, alega.

Sobrevivência dos Fixos
Segundo a Assessoria da Vivo (Telefônica), em Jundiaí, 49 mil linhas de telefone fixo resistem à era da telefonia móvel, ou seja, aproximadamente 11,96% da população ainda tem o bom e velho telefone de mesa em casa. Questionados sobre o principal motivo que leva os clientes a desativarem suas linhas, a empresa preferiu não se manifestar sobre o assunto.

USO DO TELEFONE PUBLICO ORELHAO

Foto: Rui Carlos/ Jornal de Jundiaí


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