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Preciosidades arquitetônicas se destacam na paisagem urbana

Kátia Appolinário - ksantos@jj.com.br | 11/03/2018 | 05:40

Das linhas sinuosas do Sesc Jundiaí ao design retilíneo do prédio do Sindicato dos Metalúrgicos, os projetos arquitetônicos de Jundiaí são capazes de unir o útil ao agradável através da otimização dos espaços públicos. Durante esta semana, o Jornal de Jundiaí acompanhado do arquiteto Einar Segura, que há 30 anos atua no ramo de desenvolvimento de projetos, percorreu a cidade e selecionou cinco edificações que se destacam na paisagem urbana.

Na rua Barão de Jundiaí, o prédio do antigo Banco Banespa desenvolvido pelo arquiteto Ruy Ohtake, chama atenção de quem passa pelo local. Basta levantar os olhos para se deparar com as curvas características da construção. Para Segura, a qualidade arquitetônica do Banespa instiga o olhar ao sair do padrão “quadrado” dos prédios convencionais. “É um projeto que propõe formas que libertam e ao mesmo tempo nos tiram da zona de conforto, é quase brutalista”, comenta Einar.

O Sesc Jundiaí, assim como o prédio do Banespa, é uma edificação em que as linhas sinuosas predominam. Desenvolvido pelas arquitetas Cristina de Castro Melo e Rita Vaz, o projeto se destaca por integrar espaços com diferentes intuitos através do uso de cacos de cerâmica, transparências e ripas de madeira. Ainda que a escola modernista seja muito forte na cidade, Einar Segura considera eclético o estilo arquitetônico de Jundiaí.

Deixando de lado as formas arredondadas, o prédio do Sindicato dos Metalúrgicos, inaugurado em 2014 e projetado pelo grupo Sutti Arquitetura, prioriza o design moderno das linhas retas. O vidro espelhado e as paredes externas feitas com material perfurado, permitem que a luz invada o ambiente.
Segundo Segura, cada detalhe é planejado desde a mobília ao revestimento utilizado. “Essas minuciosidades, além de dignificarem o ser, demonstram respeito pelo usuário”, afirma.

Além de dignidade e respeito, a arquitetura pode ser um meio para a democratização dos espaços, como no caso da Biblioteca Nelson Foot, localizada no Complexo Argos. O local, que antes integrava o polo industrial de Jundiaí, se tornou um cartão postal da cidade. “Não só pela originalidade da arquitetura, mas pela importância social, o Complexo Argos faz referencia à dimensão operária. Há uma valorização da projeção social na memória coletiva da cidade”, afirma o historiador e educador Alexandre Oliveira, licenciado em História pela Universidade Federal de Ouro Preto e Mestre em Artes pela Unesp.

Einar Segura garante que a preservação das características originais do prédio, combinados com os elementos modernos do pós-industrial, como as paredes de concreto aparente e estruturas metálicas expostas, equilibram e harmonizam o ambiente.

Da mesma forma, o Poupatempo, localizado no Complexo Fepasa, também preserva características da obra original. O estilo de arquitetura inglesa, os tijolos aparentes, a mescla entre iluminação natural e artificial e a mobília não tão específica quanto nos demais projetos, garantem o estilo sem perder a praticidade.

O historiador defende que o uso dos espaços é fundamental para a preservação, mas alerta para que a arquitetura moderna e os patrimônios culturais não sejam colocados como elementos maniqueístas, uma vez que o enriquecimento das construções está justamente nessas mudanças, que, como explica, são “camadas históricas se sobrepondo no espaço”.


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