Jundiaí

Preço da carne vermelha não assusta o consumidor

CARNES CARNE ALINE SANAE KOIKE
Crédito: Reprodução/Internet
O preço médio do boi gordo em São Paulo acumulou alta de 5,3% nos últimos 30 dias e forte alta nominal de 44,3% nos últimos 12 meses, segundo o Grupo Técnico de Monitoramento do Abastecimento de Alimentos e Produtos Agropecuários no Estado de São Paulo. Outro fator que interfere no reajuste do preço da carne é a exportação, que ganha destaque no Brasil, mas, apesar do reajuste, o brasileiro não parece sentir vontade de substituir a carne vermelha por qualquer outro alimento. Pelo menos não é o caso da dentista Aline Sanae Koike, 41 anos. Ela conta que chegou a R$ 49 o quilo do filé mignon, hoje desembolsa R$ 67,50 pela mesma quantia. “Especialmente neste período da quarentena, quando todos estamos comendo mais, consumi uma quantidade maior deste alimento, mesmo sabendo que estou pagando mais por ele”, confessa. Para a comemoração do Dia dos Pais, celebrado no próximo domingo (9), Aline revela o prato principal. “Já estamos providenciando a carne porque, provavelmente, faremos um churrasco em casa entre família”. [caption id="attachment_98408" align="alignnone" width="800"] Aline Sanae Koike percebeu um leve aumento no preço, mas confessa que não deixou de consumir[/caption] SEMESTRE ANORMAL Picanha, fraldinha, alcatra, maminha. Alternativas não faltam para aquele consumidor que inclui a carne vermelha, pelo menos uma vez por semana, no cardápio. Quem comemora o menu recheado de proteína é Larry Cassaro, um dos proprietários no Neco Empório da Carne. “Geralmente, no primeiro semestre, vendemos menos do que no segundo. Este ano, apesar de todas as dificuldades financeiras do país, fomos surpreendidos com um aumento de 20%, se comparado ao mesmo período do ano passado”. Quanto aos preços, Cassaro admite um reajuste, sem pontuar a porcentagem. “Neste momento tudo é muito incerto, até mesmo para um mercado como o de carne que neste momento parece vender bem. Não dá para saber o que vai acontecer”. [caption id="attachment_98376" align="aligncenter" width="1280"] Larry Cassaro comemora vendas do 1º semestre, que teve aumento de 20%[/caption] O proprietário do Boi Arte & Cia, Marcio José Carbonari, tem muito o que comemorar, mas ao contrário de Cassaro, não credita à pandemia o consumo do alimento. “Quem gosta de carne vermelha vai continuar comendo, independente da época do ano. Aqui, eu vendi na mesma proporção de anos anteriores”. Já os preços, Carbonari admite um reajuste que, segundo ele, se justifica pela estiagem do boi, típica desta época no ano. “O aumento que o consumidor pode encontrar ao comprar a carne não tem nada a ver com pandemia”, revela. [caption id="attachment_98377" align="aligncenter" width="1280"] Marcio Carbonari admite aumento de preços, mas lembra que nada interfere nas venda[/caption]

SEGUNDO SEMESTRE

Analistas avaliam que o preço do boi gordo ganhará força no segundo semestre, quando a piora sazonal dos pastos já costuma reduzir a oferta. Além disso, a tendência é que os pecuaristas enviem menos animais para os confinamentos – sistema intensivo de engorda com alimentação baseada em grãos. No Brasil, a oferta de gado de confinamento se concentra no segundo semestre – em geral, 15% do gado abatido de junho a dezembro vem do sistema intensivo, de acordo com estimativas do setor. O analista César Castro Alves, do Itaú BBA, admitiu ter ficado surpreso com o nível de resistência dos preços do boi gordo, sobretudo quando se considera que a fraqueza do mercado interno fez forte pressão sobre as cotações de frangos e suínos, que recuaram mais de 20% no mês passado – nas primeiras duas semanas de maio, as cotações ensaiaram uma recuperação. A produção em Mato Grosso, dono do maior rebanho bovino do país, dá uma dimensão da menor oferta de gado. Conforme a Agrifatto, os abates no Estado caíram 25% na comparação anual, chegando ao menor nível desde maio de 2018, durante a greve dos caminhoneiros.

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