Jundiaí

Prefeitura tem nove professores afastados na rede por questões psicológicas


Pressão dentro e fora das salas de aula geram estresse, dores nas costas, insônia, depressão e surtos em professores do âmbito municipal, estadual e federal
Crédito: Reprodução/Internet
A Prefeitura de Jundiaí tem nove professores afastados ou que pediram afastamento na rede municipal de ensino por questões psicológicas. O levantamento foi feito pela administração municipal a pedido da reportagem do Jornal de Jundiaí, depois que um professor de inglês substituto foi acusado de agredir dois alunos da Escola Municipal Pedro Clarismundo Fornari, no Rio Acima, em 22 de março. José Luís dos Santos, de 32 anos, foi levado à delegacia e autuado por lesão corporal, que prevê pena de seis meses a dois anos de prisão de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ele também foi afastado por 90 dias pela Prefeitura - como prevê o Estatuto dos Servidores. [caption id="attachment_20223" align="alignright" width="300"]Pressão dentro e fora das salas de aula geram estresse, dores nas costas, insônia, depressão e surtos em professores do âmbito municipal, estadual e federal Pressão dentro e fora das salas de aula geram estresse, dores nas costas, insônia, depressão e surtos em professores do âmbito municipal, estadual e federal[/caption] “Embora nenhuma situação justifique uma agressão física ou psicológica, é necessário pontuar que dentro de sala, o professor de uma forma geral, está cada vez menos valorizado. É normal um aluno ou outro não ter respeito, mas quando a grande maioria das crianças ou adolescentes agem dessa forma, o profissional tem ali dentro daquela sala de aula uma missão de educar além de ensinar o conteúdo”, afirma Nelson Destro Fragoso, professor de psicologia da Universidade Mackenzie. O especialista levanta a questão: há, na rede municipal de ensino, amparo psicológico específico para o professor? Segundo profissionais da educação de diversas Escolas Municipais de Educação Básica (EMEB's) ouvidos pelo Jornal de Jundiaí, não. “Eu já precisei de apoio psicológico e nunca tive dentro da Educação”, afirma uma professora que pediu para não ser identificada. O Sindicato dos Servidores Públicos de Jundiaí também afirma que não há apoio psicológico para os professores da Unidade de Gestão de Educação da Prefeitura de Jundiaí. Segundo a professora ouvida pelo JJ, o único auxílio que ela teve veio através dos próprios colegas de escola. Outra profissional destaca que pelo menos duas professoras da escola que trabalha foram afastadas ou pediram afastamento por questões psicológicas. “Uma amiga teve síndrome do pânico e o outra depressão. Não é incomum na cidade ver nossos colegas deixando de trabalhar por esses motivos”, diz. Todos os professores ouvidos pelo JJ foram unânimes ao afirmar que conhecem colegas que já passaram por problemas dessa ordem e também vêm do acúmulo de questões dentro da sala de aula e de pressão por resultados fora dela. “A nível estadual e federal, quando você vai a fundo investigar, encontra diversos casos de dores nas costas, insônia, depressão, surto, tudo causado por estresse profundo. E tudo isso acaba sendo um sintoma da sociedade em que estamos inseridos”, afirma Nelson Fragoso. Para ele, a função da direção da escola também é reconhecer sintomas desse estresse por parte dos professores, para que o melhor caminho seja tomado. Prefeitura Em nota, a Unidade de Gestão de Educação da Prefeitura de Jundiaí (UGE) afirmou que faz exames de sanidade física e mental em todos os servidores. A Prefeitura diz que também faz avaliação psicológica e, em casos diagnosticados, encaminha as pessoas para o SUS - CAPS. A Unidade de Gestão da Educação ressalta que o ocorrido foi um acontecimento isolado e atípico. “As situações são resolvidas no âmbito da escola. Tanto a equipe gestora quanto os professores estão preparados para atender às dificuldades.”

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