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Procura por Libras cresce 70% em Jundiaí

GUILHERME BARROS | 17/01/2020 | 05:00

O mercado de trabalho está aquecido para quem tem habilidade com Língua Brasileira de Sinais (Libras). A procura pelos cursos aumentou em até 70% em dois anos para quem deseja trabalhar com interpretação. Os preços variam entre R$ 490 e R$ 1000, dependendo do nível de aprendizado, que vai desde o básico até o avançado. Cada nível tem duração média de seis meses.

A recepcionista e administradora da Associação e Clube dos Surdos de Jundiaí (ACSJ), Patrícia Oliveira Santos, é uma das que aprendeu Libras e já conseguiu emprego, justamente no local onde há um número maior de pessoas que precisam deste tipo de linguagem. “Eu era voluntária da Amarati e uma vez me vi em uma situação que não pude ajudar um surdo. Foi aí que procurei me especializar para poder ajudar os deficientes auditivos”, diz.

O Clube dos Surdos tem 47 anos de trabalho na cidade e já formou mais de 1,5 mil pessoas desde sua fundação. “Não tem uma área que seja específica para contratar um intérprete de Libras. Os supermercados são um exemplo disso. Toda hora alguém com essa dificuldade vai fazer uma compra e precisa se comunicar. O mercado é vasto”, comenta Patrícia.

Mãe do menino Maicow, de 8 anos, a também recepcionista Auriane Nazário da Paz Pacheco, procurou a especialização para atender as necessidades do filho, que nasceu com deficiência auditiva severa. “O diagnóstico foi demorado. Tive que ir em vários pediatras para descobrir. Depois de quatro anos, com os avanços tecnológicos, ele recebeu um aparelho que hoje permite escutar, embora ainda com dificuldade”, diz Auriane.

Ela comenta que o espaço foi fundamental para que ela pudesse dar uma qualidade de vida melhor para o Maicow. Ela acredita que em Jundiaí há, em média, 500 pessoas que necessitam de auxílio por meio da Libras. “Os surdos precisam de mais inclusão”, diz.

A coordenadora do curso de Libras da Associação Terapêutica Auditiva e Linguagem (Ateal), Ketilen de Lima, diz que o perfil de quem procura os cursos mudou. “96% dos alunos são mulheres das áreas da saúde e educação”, avalia

INCLUSÃO
Um exemplo de que os deficientes auditivos têm ganhado espaço no contexto social vem por meio da fé. A Pastoral dos Surdos, da Diocese de Jundiaí, começou em 1997 com um padre missionário. “As pessoas iam até a igreja e não tinham noção do que estava acontecendo, daí a necessidade de termos um intérprete para que eles recebessem as palavras do evangelho”, diz o pároco da paróquia São Pedro Apóstolo, na Vila Comercial, Marcelo Augusto.

Ele tem surdez no ouvido esquerdo, aprendeu Libras e hoje atende os alunos e fiéis com deficiência auditiva. “O objetivo é levar o surdo a ter uma experiência de fé para com Cristo de uma maneira individual. Hoje a gente tem três equipes de intérprete e sempre trabalhamos para termos cada vez mais expansão”, comenta a coordenadora diocesana Juçara de Sousa.

A lei que estabelece a Libras como língua oficial brasileira é relativamente nova no país. Ela foi promulgada em 24 de abril de 2002. O texto diz que “a formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais do ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua”.

Patrícia Oliveira Santos conseguiu trabalho com o conhecimento da língua

 

Trabalho de dezenas de voluntários de evangelização com surdos é feito pela Diocese de Jundiaí desde 1997

 


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