Jundiaí

Produtores de caqui terão até 70% da safra comprometida


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Crédito: Reprodução/Internet
A queda na procura de alguns produtos alimentícios depois do anúncio do isolamento social chegou ao setor rural. A safra de frutas deste ano pode estar com os dias contados porque a oferta tem sido maior do que a demanda e, com isso, as frutas estão prestes a apodrecer no pé, principalmente o caqui. Os mais afetados serão os médios e grandes agricultores com a produção voltada às centrais de Abastecimento (Ceasas) que estimam uma queda de 70% na safra. De acordo com o presidente da Associação Agrícola de Jundiaí, Renê Tomasetto, a safra vai até o fim de maio, mas a perda é imediata. “O caqui já sofre as consequências da crise. A estimativa inicial é de 30% de prejuízo, mas esse número pode crescer de acordo com o tempo da crise”, explica. O diretor da Cooperativa Agrícola Nossa Senhora das Vitórias e produtor, Orlando Steck, conta com 80 mil pés de caqui e lamenta a queda de 80% nas vendas. “Este ano a demanda caiu para um pouco mais de mil caixas. Se continuarmos nesse ritmo, dentro de 30 dias a fruta vai se perder porque é um produto perecível", lamenta o diretor da entidade que agrega produtores rurais de Jundiaí e Louveira. A produtora do bairro Traviú, Érica Thomasetto, atende o atacado e se vê no mesmo cenário. "Se continuarmos nessa situação por muito mais tempo, a perda poderá chegar de 50 a 70%", explica a fruticultora que já chegou a colher 15 mil toneladas de fruta por semana em anos anteriores, volume que teve queda de dois terços nesta safra. Ariovaldo Thomasetto é tio de Érica e também atua na produção de caqui. Com um terreno de 120 mil metros quadrados e 3 mil pés de fruta, neste ano a produção não rendeu a ele nenhum lucro. "Normalmente faturo R$ 400 mil ao ano e tenho um lucro de até R$ 250 mil. Mas neste ano, esse valor caiu para R$150 mil, o que vai dar apenas para arcar com os custos logísticos", conta o agricultor. Sem ter como investir na próxima safra, ele pensa em encerrar suas atividades. "Para prosseguir com a produção, eu precisaria fazer um empréstimo no banco, o que neste momento não é a melhor opção frente a incerteza do cenário econômico", diz.   A RECUPERAÇÃO Para tentar reduzir o prejuízo os agricultores tem optado pela baixa dos preços. Antes uma caixa de caqui era comercializada por R$ 15 e hoje a média é de R$8 o valor para revenda. Mesmo assim, a expectativa é que a recuperação aconteça apenas em 2021. Em breve haverá o início da safra da uva de mesa e da poncã, duas culturas que têm um volume de produção bem menor que a do caqui e que espera um impacto menor, tendo em vista a lenta e gradativa melhora do cenário econômico. Com o intuito de amenizar os prejuízos desses produtores, a Unidade de Gestão de Agronegócio, Abastecimento e Turismo (UGAAT) tem estimulado a venda através de outros meios. É o que explica o gestor responsável, Eduardo Alvarez. "Como grande parte do destino desses pontos de venda é o abastecimento de restaurantes, hotéis e merenda escolar houve uma baixa drástica da procura, afetando os produtores daqui. Por isso incentivamos que os pequenos produtores, de frutas e hortaliças, se adaptem às novas formas de venda com os sistemas delivery e de retirada na propriedade”, diz. A UGAAT tem acompanhado o setor e, inclusive, disponibilizou no site da Prefeitura de Jundiaí uma relação com os produtores rurais da cidade e o bairro em que estão localizados a fim de impulsionar a venda local. Os pontos podem ser conferidos através deste link.

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