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Profissionais de saúde vivem o covid-19 na pele

Kátia Appolinário e Édi Gomes | 15/05/2020 | 19:49

Na linha de frente contra o coronavírus, todos os dias os profissionais de saúde colocam suas vidas em risco para ajudar o próximo. De acordo com dados do Ministério de Saúde divulgados na última quinta-feira (14), há 199.768 profissionais da saúde entre os casos de covid-19 no Brasil.

Do total dos casos suspeitos, as modalidades mais atingidas são técnicos ou auxiliares de enfermagem (34,2%), enfermeiro (16,9%), médico (13,3%), recepcionista (4,3%). Procurado, o Sindicato da Saúde (Sinsaúde) de Jundiaí e Campinas não retornou com o relatório com os números de profissionais afastados pela covid-19.

Entre os positivos em Jundiaí está o enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Carlos Danilo Ramos da Cruz, de 31 anos, recuperado recentemente. “Ao sentir os primeiros sintomas meu superior já me encaminhou para o Hospital São Vicente, onde eu realizei toda a bateria de exames. Fiquei internado do dia 22 de abril a 1 de maio e, em seguida, fui para casa”, compartilha.

Para ele, o mais difícil foi ficar longe da função. “Meu trabalho foi o que eu mais senti falta nesse período. Inclusive evitei fazer qualquer tipo de esforço para que pudesse retornar o quanto antes”, pontua.

Apesar de morar em Cajamar, a enfermeira Ariana Helena Xavier, de 34 anos, começou a apresentar os sintomas da doença a nove dias. “Tive fortes dores de cabeça, tosse e febre. Por orientação médica entrei em isolamento domiciliar e fiz o teste de swab”, compartilha a profissional que recebeu o resultado positivo há três dias.

O swab é um cotonete estéril que serve para coleta de exames microbiológicos com a finalidade de estudos clínicos ou pesquisa.
Ela conta que está recebendo acompanhamento médico via teleatendimento, mas se sente melhor. “Estou sendo devidamente medicada e segundo os médicos, o ideal é que eu permaneça em total isolamento por até 72 horas a partir do instante em que eu estiver totalmente assintomática”, explica.

Para ela, que estava atuando na linha de frente da doença, sentir o coronavírus na pele não foi fácil. “A recuperação é lenta e estou tomando cuidados redobrados pois meu pai e minha filha são do grupo de risco”, diz.

Ela lamenta que muitas pessoas duvidem da doença. “Alguns falavam que o vírus era invenção política e que não passava de uma mentira. Para mim que deixava minha casa todos os dias para ajudar os pacientes infectados, isso era um desrespeito”, afirma.

Respaldo
A dirigente de Jundiaí do Sinsaúde, Juliana Karine Machado Rodrigues, diz que o sindicato está atento quanto a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs), e também na cobrança da realização de exames para detecção do covid-19 nos profissionais da saúde para garantir a segurança dos profissionais que estão na linha de frente.

“A Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo fez alguns movimentos buscando a compra de testes rápidos para os profissionais. O foco principal está sendo na testagem dos profissionais afastados e não têm a confirmação. O teste rápido não consegue fazer a testagem do vírus. Você pode estar com outra crise infecciosa e o PCR vai subir sem conseguir determinar. O mais indicado é o teste swab, mas a indicação é apenas nos polos de atendimento e o resultado acaba demorando, por serem poucos laboratórios que fazem análise”, explica.

A dirigente comentou que não há, nas últimas semanas, reclamações por falta de EPIs nos hospitais da região. No início da pandemia, o Sinsaúde recebeu denúncias que um hospital chegou a orientar compartilhamento do material, o que vai contra as orientações sanitárias.

 


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