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Profissionais multidisciplinares se unem contra o coronavírus

Kátia Appolinário | 24/05/2020 | 12:03

O combate ao coronavírus tem exigido a atuação de inúmeros profissionais da área da saúde. Assim, não são só médicos e enfermeiros que atuam na linha de frente dos hospitais, mas também fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais que se unem para dar toda a assistência necessária a esses pacientes.

No setor público são mais de 5 mil profissionais engajados no atendimento à população entre hospitais, pronto-atendimentos, ambulatórios e Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Para entender como é arquitetado esse trabalho em equipe, conversamos com especialistas de diferentes áreas de atuação.

 

O OXIGÊNIO
Uma força indispensável aos pulmões enfraquecidos. Essa é uma boa forma para definir o trabalho do responsável pela equipe de fisioterapia do Hospital São Vicente (HSV), Daniel Gimenez da Rocha, de 40 anos. Ele explica que a atuação da especialidade é imprescindível para os pacientes com coronavírus.”Da admissão até a alta, atuamos junto à equipe médica. Nós realizamos a abordagem para decidir o tipo de oxigênio que o paciente receberá, bem como a maneira como será aplicado”, conta.

No Hospital São Vicente 25 fisioterapeutas se revezam em três turnos para que os pacientes sejam assistidos 24 horas por dia. “Como o covid-19 é uma doença que afeta o pulmão, a ventilação é um procedimento cauteloso que, na maioria das vezes, deve ser levado adiante mesmo após a saída das Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs)”, explica.

E completa. “Em alguns casos o paciente é liberado para recuperação em isolamento domiciliar, mas às vezes é preciso mantê-lo sob a ventilação com oxigênio. No entanto, cada caso é muito particular. Independente disso é importante que o paciente tenha uma rotina de exercícios respiratórios mesmo após a alta, uma vez que a doença causa uma perda de força muscular”.

 

SAÚDE MENTAL
O isolamento, ao lado da distância da família e a vulnerabilidade desencadeada pela doença, podem agravar o sentimento de solidão por isso cuidar do psicológico também é essencial para os pacientes.
É o que explica o chefe do departamento de psicologia do Hospital São Vicente, Roberto Tafarello. “É importante fazermos um levantamento da situação psicológica dos pacientes para que possamos detectar a origem de cada angústia e tratá-la”, ressalta.

Segundo o profissional, a principal queixa dos pacientes tem sido sobre a saudade dos entes queridos, mas a solução para esta questão já foi encontrada. “Estamos intermediando esse contato com os familiares com a ajuda da tecnologia. Agora utilizamos o tablet para fazer chamadas de vídeo e tentar diminuir essa angústia incidente”, conta.

Além dos pacientes, os demais funcionários do hospital também estão recebendo acompanhamento psicológico. “Estendemos o nosso horário de trabalho e também estamos atendendo os próprios funcionários. A escuta é essencial, principalmente porque estamos todos passando por um período de autoanálise e vivendo um acontecimento que jamais havíamos imaginado. Isso tudo é um processo de lapidação interna”, reflete.

 

ASSISTÊNCIA SOCIAL
As famílias também necessitam de respaldo não só para entender o momento, mas também para que possam atender às necessidades do paciente em casa. É nesse momento que os assistentes sociais entram em cena. Renata Romanato, de 45 anos, atua há duas décadas na função e conta como o trabalho está sendo feito durante o período de pandemia. “Nós lidamos diretamente com a família dessas pessoas.

Quando o médico faz o pedido de internação domiciliar, nós temos a missão de explicar como deverá ser essa adequação, bem como os cuidados que a família deverá ter em relação ao paciente durante a sua recuperação”, diz.

Ela reforça sobre a importância do acolhimento. “Precisamos auxiliar essas famílias, principalmente quando falamos de pacientes idosos, que mesmo após a alta, possuem dificuldades para retomar a rotina”, explica valendo-se de que todas as instruções são mediadas pelos médicos responsáveis.

 

NA UTI
Para os profissionais da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), lidar com a covid-19 também não é nada fácil. A cardiologista e intensivista, Eliane Sampaio Vieira de Castro, de 70 anos, atua na linha de frente na Unimed e conta sobre a experiência de ter que se reinventar para ajudar o próximo. “Eu e meus colegas de profissão passamos por momentos difíceis, principalmente no começo do enfrentamento. A UTI teve que se transformar para atender a toda essa demanda”, compartilha.

Ela fala ainda sobre a incerteza da recuperação. “Nós sabemos que a doença tem um começo, um meio e um fim. No entanto, a partir do momento em que o paciente vai para a UTI, ou ele pode apresentar uma melhora ou desencadear uma reação muito grave e ser mantido sob controle de ventilação”, aponta.
E completa. “Cada caso é um desafio, pois são indivíduos com diferentes antecedentes e que, por isso, também podem apresentar diferentes respostas ao tratamento”.

 

VOLUNTÁRIOS
Jundiaí iniciou uma campanha para recrutar voluntários no combate à doença. De acordo com a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) até a última terça-feira (19), 31 munícipes haviam se disponibilizado para a ação.

Desse total, 20 pessoas tiveram as documentações e os requisitos validados para atuar em conjunto com as equipes no enfrentamento a covid-19. A maioria dos voluntários aprovados já passou por entrevistas e treinamentos para fazer o uso de equipamentos de proteção individual pertinentes a cada setor de atuação, podendo ser nas Unidades Sentinelas, Unidades Básicas de Saúde ou de forma ambulatorial.


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