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Projeto cria vínculos e incentiva mudanças

DA REDAÇÃO | 21/05/2019 | 05:05

Dário Herculano Júnior, 63 anos, tinha uma vida tranquila em São Paulo e estava prestes a se casar com o grande amor de sua vida. Porém, a mulher morreu, de forma repentina, tirando o chão do homem que trabalhava na antiga ‘Light’ – empresa de energia elétrica – como ajudante geral. De lá para cá são mais de 15 anos, 10 deles vividos nas ruas de Jundiaí, fazendo uso de álcool e drogas comprados a partir da coleta de material reciclável. Há um ano aceitou o convite das equipes do Consultório na Rua, programa da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) e deixou de viver debaixo das marquises de lojas na rua do Retiro. “Quem quer sair da rua, é só aceitar a oferta. Apoio e caminhos existem”, comenta o homem, que hoje está em tratamento médico contra um câncer.

A história de Dário é uma das mais de 200 pessoas que passam pela equipe do programa, que circula pelos pontos de alta vulnerabilidade de Jundiaí – São Camilo, Jardim Fepasa e Centro ampliado -, criando vínculos com as pessoas em situação de rua, com oferta de atendimentos, que vão desde o ouvir suas histórias até encaminhar para atendimentos médicos. “Se não fosse esse pessoal, eu não estaria aqui. Eles conversavam comigo, me davam orientação, mas até eu não passar mal e quase morrer por causa de um problema na vesícula, não tinha amadurecido para entender o bem que estavam me oferecendo. Hoje sou grato por não terem desistido de mim”, conta o ex-morador de rua, que está em um abrigo da Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS).

De acordo com dados da equipe do Consultório na Rua, são realizados 480 atendimentos por mês, para 237 pessoas com cadastros ativos, priorizando os públicos gestantes (4) e pessoas com transtornos mentais (11). “É um trabalho lento, que não depende somente da necessidade que a equipe multidisciplinar identifique. É necessário que seja criado um vínculo entre a pessoa em situação de rua e a equipe, para que, no momento certo, o serviço consiga resgatar das ruas e oferecer uma nova oportunidade para a vida”, comenta a enfermeira do programa, Ariane Fernanda Maforte Sualdini.

A meta para o ano é ampliar a área de atuação do Consultório na Rua, a partir de estudo realizado. “Além da atuação nas áreas já determinadas anteriormente, o trabalho será expandido para outros pontos, identificados como novos ou que tiveram aumento no fluxo. É um trabalho conjunto, multiplataforma, para ofertar atendimento integral em saúde, incluindo consultas e tratamento a partir dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e acolhimento pela UGADS nos espaços específicos”, comenta o gestor da UGPS, Tiago Texera.

Ainda em formação de vínculo, ‘Neguinho’, como prefere ser reconhecido, tem 35 anos e há nove vive nas ruas. “O pessoal do Consultório ajuda muito. É importante. Nos escutam e oferecem o apoio que precisamos. Hoje vieram me avisar sobre uma consulta que agendaram para mim”, conta o rapaz, que faz uso de álcool e se abriga na região da avenida dos Ferroviários junto com seus cachorros de estimação. “Tenho muitos. Eles são os meus amigos”, esclarece.

Mais possibilidades
A Prefeitura mantém uma campanha permanente de conscientização para o direcionamento da população em situação de rua para o atendimento da rede socioassistencial. Batizada de “Não dê esmolas. Ajude de Verdade”, a campanha da UGADS trata das possibilidades além da doação de esmolas para que, uma vez integrados aos serviços, sejam supridas as demandas de cada atendido e, com a sua parceria, seja construído um plano de saída das ruas.

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