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Projeto de apadrinhamento garante afeto a jovens de abrigos

Mariana Checoni | 01/03/2020 | 05:34

Crianças e adolescentes, até os 18 anos, são seres vulneráveis, que precisam de cuidado, amor e carinho da família, e principalmente, dos pais. Contudo, não são todos que possuem esse afeto dentro de casa. Pensando nisso, o programa Padrinho Legal surgiu como uma maneira de acolher crianças e adolescentes que se encontram em abrigos, em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, Jundiaí conta com 24 cadastros no programa, sendo que 21 estão apadrinhando crianças ou adolescentes, um no aguardo e dois que finalizaram recentemente o processo.

A assistente social Elen Tavares de Sá explica como funciona o programa na cidade. “Apadrinhar é dar a criança uma oportunidade de convívio e integração social. O projeto é feito para crianças a partir de sete anos até adolescentes com 18 anos incompletos, com pouca chance de adoção ou retorno a família de origem”, conta.

O programa disponibiliza duas formas de apadrinhamento, o afetivo e o financeiro. “O candidato a padrinho/madrinha afetivo necessita passar por capacitação e apresentar os documentos exigidos. Também é importante que se comprometa a permanecer ao menos um ano no programa, pois ele deve ter disponibilidade de tempo para conhecer a criança ou adolescente e acompanhá-lo, primeiro na instituição acolhedora, depois em passeios e, após avaliações da convivência, se o caso, acolhê-lo em sua residência em finais de semana e ocasiões especiais. Já no apadrinhamento financeiro, o padrinho ou madrinha podem custear uma atividade, curso ou tratamento que o apadrinhado necessite, sem que se crie vinculação por meio de visitas”, explica.

O casal Michelly Rodrigues e Miguel Lopes é um exemplo de padrinhos afetivos. Moravam no Distrito Federal e lá já haviam feito uma iniciação em um projeto parecido. “Assim que nos mudamos para Jundiaí, procuramos por algo equivalente e encontramos o Projeto Padrinho legal. Fomos orientados sobre o curso de capacitação para nos tornarmos aptos ao apadrinhamento de uma criança”, conta Michelly.

Miguel e Michelly acabaram de participar do segundo apadrinhamento. “Após a adoção da nossa primeira afilhada, Vanessa, de 14 anos, na sua família extensiva, optamos por continuar no projeto e hoje estamos com a nossa segunda afilhada, a Beatriz, que chegou para nós aos 17 anos e hoje completou 18. Apadrinhamos a Bia no início de 2019, auxiliamos no processo de desacolhimento ao completar 18, já que, segundo o Estatuto, só podem ficar no acolhimento jovens de até 18 anos. Apesar disso, conforme a orientação, o apadrinhamento é para toda vida. Infelizmente, não temos mais contato com a Vanessa, que mora no interior de Minas Gerais, porém a Bia está presente no nosso dia a dia, já que ela ainda reside em Jundiaí”, conta o casal.

O casal conta que desde o início optou pelo apadrinhamento afetivo. “Buscamos uma troca. Acreditamos que a construção de um relacionamento virtuoso traz benefícios a todos, principalmente para os afilhados. Buscamos criar um vínculo de confiança baseado numa amizade e apoio, procurando uma aproximação para encurtar cada vez mais a distância que a sociedade e a vida estabeleceu entre estes jovens e as pessoas. Nossas experiências de vida são diferentes, mas isso não nos coloca em uma posição superior. Temos que nos colocar no lugar do outro e nunca depreciar suas vivências. Quanto mais sintonizados conseguirmos ficar com nossos afilhados, mais condições temos de ajudar ou dar algum conselho”, relatam.

O projeto é importante, pois mostra aos jovens, já em situação de vulnerabilidade, que ainda existe esperança e amor nas famílias. “A necessidade de amar e de ser amado está intrínseco em todos nós. Nosso papel como padrinhos, entre outras coisas, é despertar esse amor por meio de um conjunto de cuidados e de uma relação de confiança”, afirma Michelly.

 

Importância
De acordo com Jefferson Torelli, juiz da Vara da Infância e Juventude de Jundiaí, o projeto de apadrinhamento é importante para o desenvolvimento da criança e do adolescente. “Muitas vezes, esse jovem não pode mais receber visitas dos pais e parentes, por conta do meio de onde foi retirado. O padrinho surge para suprir esse afeto, pois se torna uma referência ou até mesmo um amigo, que fornece o carinho e o amor que o afilhado precisa”, afirma.

Para Rafaela de Souza Fratezi e Fábio de Oliveira, participantes do projeto, ser padrinho é uma experiência única, de aprendizado e troca. “Conhecemos o programa de apadrinhamento afetivo através de divulgação via internet, a partir daí começamos a buscar mais informações e decidimos nos inscrever. Após alguns encontros e capacitações conhecemos nosso apadrinhado. No início eram somente visitas na Casa de Nazaré, onde passávamos a tarde com ele, mas conforme foi passando o tempo e o vínculo aumentando passamos a buscá-lo para passar conosco os finais de semana e feriados”, afirma o casal.
“Neste tempo tínhamos total consciência de qual era nosso papel como padrinhos, buscávamos sempre aconselhar e fazer coisas que pareciam ser bem simples, como almoços e passeios em família e idas ao supermercado. Apadrinhamos duas crianças nestes dois anos e hoje podemos olhar para trás e ver a importância para nós e as crianças. Hoje, os dois foram adotados, porém graças ao vínculo criado podemos dizer que seremos sempre seus padrinhos. Buscamos manter o contato e eles sabem que nossa casa está sempre disponível”, afirma Rafaela.

Para participar, a pessoa precisa ser maior de 18 anos e realizar uma inscrição pelos telefones: 4521-5743 (Casa Transitória) ou 4586-8111 – ramal 203 (Serviço Social da Vara da Infância). “Após o contato, é feita uma seleção a partir dos documentos apresentados e entrevista individual. O programa de apadrinhamento é importante, pois desde seu primeiro ano vem contribuindo para o desenvolvimento de habilidades sociais e afetivas entre as crianças e os padrinhos”, afirma Elen.

Próxima capacitação
Para quem se interessou em participar do programa. As datas da próxima capacitação já estão definidas.
21/03/20, das 8h30 às 12h: Apresentação do “Padrinho Legal Afetivo e Financeiro”
28/03/20, das 9h às 16h: Oficina de Padrinhos e Madrinhas
Local: Fundo Social de Solidariedade (Av. Doná Manoela Lacerda de Vergueiro, s/n)

 


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