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Promotoras legais populares ajudam mulheres em situação de violência

NIZA SOUZA - csouza@jj.com.br | 16/03/2018 | 03:31

Cintia Tonetti é psicóloga, tem 31 anos. Nunca foi engajada em movimentos feministas, mas no ano passado participou da primeira turma do curso Promotoras Legais Populares (PLPs) realizado em Jundiaí, um movimento apartidário e laico, que busca “estimular a participação política e cidadã das mulheres para que sejam protagonistas no enfrentamento às desigualdades de gênero”. “O curso mudou muitas coisas no meu ponto de vista. Uma delas é o fato de conseguir perceber alguns discursos de nós mesmas, mulheres, que têm uma conotação extremamente machista. Isso está tão naturalizado na nossa sociedade que a gente nem percebe”, conta. “Compreendi que muitas vezes eu acabava relevando algumas atitudes machistas que presenciava no meu dia a dia e que hoje não tolero.” Como promotora, Cintia diz que já conseguiu ajudar algumas mulheres. “Ajudei pacientes que foram abusadas e também que se sentiam assediadas no trabalho, mas tinham medo de denunciar. O curso me ensinou, entre outras coisas, os serviços que temos na cidade para os casos de violência”, diz.

T_promotorasA professora Aline Sobral, 42 anos, também faz parte da primeira turma de PLPs. Muçulmana, ela lamenta o fato de ser discriminada pelo fato de usar o hijab (véu islâmico). “Algumas mulheres têm medo de usar o hijab por já terem sido agredidas verbalmente.” Morando há pouco mais de dois anos em Franco da Rocha, vinda de Pernambuco, ela conta que decidiu fazer o curso para ter base teórica sobre o feminismo e poder atuar com mais propriedade. “Sem conhecimento a gente não faz revolução nenhuma”, acredita. “Já sofri várias violências, fui violentada ainda criança, estuprada na adolescência e tive um casamento complicado, em que sofri violência psicológica. Agora quero ajudar outras mulheres que passam por isso.” Aline conta que, durante o curso, ajudou uma amiga que sofria violência psicológica no casamento. “Usei subsídios do curso para orientá-la, principalmente onde buscar ajuda. Hoje, ela conseguiu sair dessa situação e está se separando.”

Lideranças
Uma das coordenadoras do curso em Jundiaí, a socióloga Danielle Tega reforça que o objetivo é formar lideranças, capacitar mulheres para reconhecerem situação de violência em seu círculo social – na comunidade onde moram, no ambiente de trabalho, na família, na escola. “É importante que nós tenhamos as ferramentas para identificar e poder ajudar essa mulher”, destaca. O curso, inteiramente gratuito, é destinado para todas mulheres, a partir de 16 anos, independentemente do nível de escolaridade. No ano passado, a primeira turma formou 15 promotoras de Jundiaí e Região. Este ano, para a segunda turma, já são 60 inscritas. Com duração de 9 meses, os encontros são realizados às terças-feiras, das 18h30 às 21h30. É preciso participar de, pelo menos, 20 encontros para receber o certificado.

As interessadas podem entrar em contato pelos telefones: (11) 96458-6330 ou (11) 99872-8499. Ou pelo e-mail: plpjundiai@gmail.com.


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