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Quando a voz interior fala mais alto

Da Reportagem Local . redacao@jj.com.br | 22/01/2018 | 10:52

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“Sei quando vai chover, quando é bom plantar, observo e ouço o que a natureza quer me falar. Através da intuição percebo que estou conectada com a terra e com todos os seres vivos”. É assim que a fisioterapeuta, oraculista e psiconauta Raquel Costa, de 41 anos, lida com a intuitividade. Vale lembrar que psiconauta é a pessoa que usa os estados alterados de consciência para investigar a própria mente.

FISIOTERAPEUTA Raquel Costa faz meditação, e com ela, aprendeu a lidar bem com sua intuição. "Sou intuída desde novinha"

FISIOTERAPEUTA Raquel Costa faz meditação, e com ela, aprendeu a lidar bem com sua intuição. “Sou intuída desde novinha”

Resumindo esta intuição das pessoas, é como se sua voz interior falasse mais alto. Segundo a psicóloga Denise Molino, o psiquiatra suíço Carl Jung definiu intuição como uma das quatro funções da consciência com as quais operamos frente aos estímulos da realidade. “Essas funções são como bússolas para a consciência”, explica.

Ao contrário da concepção cartesiana que parte da razão para alcançar o conhecimento, a intuição é uma função de percepção irracional; é o faro, o pressentimento, o palpite, o sexto sentido. “Nós ocidentais somos condicionados à função do pensamento, a racionalidade como função que define a cultura, a ciência, os projetos, as intenções”, ressalta a psicóloga.

Pessoas intuitivas vivem extrapolando as barreiras da razão, estão sempre atentas às impressões e imagens, são criativas e escutam sua voz interior. Elas vão além das percepções sensoriais: tato, olfato, visão, audição e paladar.

Porém a intuição nem sempre é a porta de entrada para bons pressentimentos. É o casa de Valéria (nome fictício), de 31 anos, que pressentiu a morte do pai antes mesmo de receber a notícia do hospital. Estava na casa da mãe quando teve a impressão de que um pássaro havia entrado pela janela da cozinha. “Olhamos em todos os cômodos e não tinha nada. Na hora veio o meu pai na mente. Não deu meia hora, a vizinha me chamou avisando que haviam ligado para que a gente comparecesse ao hospital. Na hora eu já respondi: ‘Susana, eu já sei, meu pai faleceu’”, relata.

PSICÓLOGA Denise: "Ausência de equilíbrio entre razão e intuição pode causar doenças"

PSICÓLOGA Denise: “Ausência de equilíbrio entre razão e intuição pode causar doenças”

Valéria vê a intuitividade como algo negativo, uma vez que nem sempre sabe como usá-la em prol de outras pessoas. “É um sentimento difícil de lidar”, conta. “Parece difícil? É mesmo! Difícil falar daquilo que opera de maneira inconsciente”, fundamenta a psicóloga Denise.

Meditação
Mas existem vários caminhos para desenvolvermos o controle da nossa intuição. Um deles é a meditação, segundo Kelsang Chime, monja do Centro de Budismo Kadampa Vajrayogini de Jundiaí. “A meditação muda a nossa maneira de pensar e a nossa capacidade mental. Assim, aumentamos nossas qualidades humanas. Todos somos intuitivos, mas é difícil ter uma ideia virtuosa que beneficie os outros em uma mente descontrolada”, diz.

E foi através da meditação que Raquel Costa aprendeu a lidar tão bem com sua intuição que hoje a tem como instrumento de trabalho. “Sou intuída desde novinha. Tinha debates dentro da minha mente, então busquei a meditação e o tai chi chuan para controlar um pouco os palpites e as instruções que recebia”. Após abandonar um cargo público para trabalhar com a intuição, hoje Raquel se considera “roots” (raiz, essência, em inglês). “Uso os estados de expansão de consciência, intencionalmente induzidos, para investigar a minha própria mente e, possivelmente, encontrar respostas para questões espirituais através de experiências diretas junto às plantas de poder. É meu elo de amor com a natureza e com tudo que me cerca”, conta, realizada.

Mas até que ponto a intuição deve ser colocada a frente da razão? “Às vezes em que fui razão em minha vida não fui coração, fiz por conta da sociedade e de terceiros”, admite Raquel Costa, ao ser questionada sobre sua relação com a racionalidade.

De acordo com a psicóloga Denise Molino, porém, nenhum dos dois extremos faz bem para a mente humana. A ausência de um equilíbro pode causar doenças como depressão e ansiedade, por exemplo. “Todo funcionamento quando se torna unilateral é passível de causar desequilíbrios no psiquismo”, alerta ela, afinal, mesmo a intuitividade não dependendo de um raciocínio lógico, cabe a nós a destreza para sabermos quando é o momento certo para seguirmos nosso “sexto sentido”.

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