Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Quase um terço dos jundiaienses sofre com doenças crônicas

VINICIUS SCARTON | 05/10/2018 | 14:00

Dos 328 mil prontuários ativos na rede de atenção básica de Jundiaí, cerca de 93 mil pessoas acima de 50 anos, quase 30% da população atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), são acompanhadas periodicamente com exames, medicamentos e atendimentos complementares – o que indica alguma doença crônica. O levantamento é da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde, feito a pedido da reportagem do JJ.

Entre as demandas crônicas que geram mais consultas na rede básica da cidade, 82% dos atendimentos são relacionados a hipertensão, 83% a diabetes não insulinisado e 52% por dorsalgia. Os números de Jundiaí corroboram com estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz de Minas Gerais, que mostra que a cada dez pessoas com mais de 50 anos, sete têm alguma doença crônica, dados considerados preocupantes. O levantamento da fundação, assim como ocorre em Jundiaí, revela que doenças como a hipertensão, seguida por problemas na coluna e colesterol alto são as mais comuns nesta faixa de idade.

São pacientes como o aposentado Antônio Bezerra da Silva, de 63 anos, que tem hipertensão há 20 anos. “Preciso tomar medicamentos para estabilizar a doença. O tratamento é contínuo e diário. Além disso, minha alimentação tem menos sódio e as visitas ao médico são a cada seis meses”, diz. A doméstica Constância Aparecida Moyses, de 58 anos, também convive com a hipertensão. “É muito ruim essa situação, pois a pressão está sempre oscilando e só consigo controlar com remédio. Além do que, tive de mudar a alimentação, reduzir o óleo e a quantidade de sódio.”

O endocrinologista e colaborador da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Caetano Munhoz de Domenico, explica que a hipertensão e as osteopatias estão se manifestando cada vez mais, inclusive em pessoas mais jovens. “Grande parte deste cenário ocorre devido ao aumento de peso médio da população brasileira, que vive uma epidemia de sobrepeso e obesidade”, explica.

Segundo o especialista, a maior dificuldade no diagnóstico e tratamento da hipertensão, por exemplo, é a falta de sintomas. “Um ou outro paciente tem uma cefaleia (dor de cabeça). É um mal silencioso, que sobrecarrega o músculo cardíaco, vai lesando o rim e endurecendo a parede das artérias”, alerta, chamando a atenção para a importância do diagnóstico precoce e da prevenção.

De acordo com o endocrinologista, a prevenção passa pela reeducação alimentar e mudança de hábitos, abandonando o sedentarismo, por exemplo. “Quando a hipertensão é descoberta no início e combatida com essas mudanças de estilo de vida e perda de peso, a doença tem cura. Agora, se é postergada, a dificuldade só aumenta e nestes casos, o tratamento será contínuo com anti-hipertensivos”, resume.

Segundo a Unidade de Saúde de Jundiaí, além dos medicamentos, a rede pública oferece atendimentos complementares, a partir de práticas integrativas e atividades físicas, juntamente com a Unidade de Gestão de Esporte e Lazer nos Complexos Educacionais, Culturais e Esportivos e nos espaços das unidades básicas de saúde. Nestes locais são ofertadas práticas físicas como ginástica corporal, modalidades esportivas como vôlei adaptado e futsal, caminhada monitorada, grupos de exercícios terapêuticos para os pacientes com dores crônicas, práticas integrativas como a meditação, o lian gong e ioga. As atividades complementares têm média de participação de 30 pessoas por grupo/atividade e 70% têm mais de 50 anos.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/quase-um-terco-dos-jundiaienses-sofre-com-doencas-cronicas/
Desenvolvido por CIJUN