Jundiaí

Queda de transplantes em 2020 chega a 28%

T_Entrega dos órgãos para equipe do Águia (1)
Crédito: Reprodução/Internet
Apesar de as medidas de segurança e de higiene terem sido adotadas nos hospitais, no estado de São Paulo houve uma queda de 28% no número de transplantes de órgãos. Segundo dados da Central de Transplantes do Estado de São Paulo, ligado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, até a segunda quinzena de junho deste ano foram realizados 2.680 transplantes em São Paulo, enquanto no mesmo período do ano passado este número chegou a 3.725, de um total de 8.328 procedimentos em 2019. Conforme divulga a Central de Transplantes, em todo o estado há 13.235 pacientes aguardando um transplante de rim, 2.952 de córneas, 341 de fígado, 128 de coração, 103 de pulmão e 9 de pâncreas. A chefe do transplante de fígado do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp, Ilka Boin, diz que as quedas nos transplantes aconteceram em todo o mundo. “Estamos fazendo cirurgias apenas em casos extremos. Quem está estável será operado apenas após a pandemia. No Ceará houve queda de 90% nos transplantes. Em São Paulo, de 10 a 20%. A doação continua, mas não há transplantes no interior de São Paulo e estados que estejam na fase vermelha de retomada. Então, não posso usar os órgãos aqui, mas eles vão para outros lugares. No Rio de Janeiro mesmo houve aumento de 23% nos transplantes, acho que é o único lugar do mundo que teve aumento na quantidade de transplantes”, diz a chefe da Unicamp. Por conta disto, Ilka diz que o coronavírus traz outras consequências. “A fila vai aumentar e a mortalidade também, pela pandemia e por não haver transplantes. O paciente também não vem fazer inscrição para a fila de transplantes agora, antes eu fazia cinco por semana, agora são cinco por mês. Ainda não sabemos se a pandemia trará demanda por transplantes de pulmão. Já foram feitos três transplantes no mundo por conta da fibrose pulmonar, causada pela covid-19”, diz ela sobre a possibilidade de que haja esta demanda originada pela pandemia.

PROTOCOLOS

Os hospitais seguem os protocolos de triagem clínica dos potenciais doadores, realizando testes para covid-19 antes de qualquer procedimento. Conforme protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS), pessoas com diagnóstico da doença com menos de 28 dias da regressão completa dos sintomas não podem ser doadores de órgãos. Por orientação do Sistema Nacional de Transplantes, as captações de tecidos, como córneas, estão temporariamente suspensas durante a pandemia. Os procedimentos eletivos serão reagendados, prezando pela segurança dos profissionais de saúde e pacientes receptores. A enfermeira de captação de doadores do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), Thaís Fernanda da Rocha Santos, diz que a doação não mudou muito de um ano para outro. “Neste ano a gente teve quatro doadores aqui, sendo o último em abril. Sei que também teve um doador no Hospital Regional, em maio ou junho. De janeiro a junho de 2019 foram seis doadores no HSV. Agora o Hospital Regional está atendendo estes casos, pois nos tornamos referência no tratamento da covid-19. Uma possível morte encefálica vai para o Regional, mas independente do paciente ter morte encefálica, com ou sem coronavírus, é feita uma tomografia. É o que chamamos de ‘protocolo coronavírus’”, diz ela sobre os cuidados para que qualquer óbito seja verificado antes de uma possível doação. Quem deseja ser doador, deve comunicar a família sobre esse desejo em vida. Quando já falecido, a autorização deve ser dada por familiares com até o 2º grau de parentesco. A Central de Transplantes reforça a orientação de que haja diálogo entre as famílias sobre o desejo de ser doador, pois isso facilita a tomada de decisão.   [caption id="attachment_96387" align="aligncenter" width="1323"] Hospitais se adaptaram ao coronavírus e diminuíram outros procedimentos[/caption]

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