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Queda do dólar é vista com cautela

SIMONE DE OLIVEIRA | 12/07/2019 | 05:01

O dólar comercial fechou em queda de 1,3% chegando a R$ 3,759 na venda, em dia de votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. É o menor valor dos últimos quatro meses, e a maior queda diária em mais de um mês, desde 31 de maio.

Mesmo com os números baixos, especialistas dizem que as mudanças serão percebidas em médio e longo prazo, tanto para investimentos ou simplesmente para compras. É o efeito cascata que deve chegar apenas nos próximos dias.

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sincomercio de Jundiaí e Região, Edison Maltoni, explica que ao se falar em queda da moeda é sempre bom pensar positivamente. Além de ser bom para o comércio, com a expectativa de acelerar as vendas, é favorável também para a indústria que acaba produzindo mais. Sem falar nas boas taxas de financiamento e nos investimentos por parte dos empresários. “Ganha-se muito quando falamos em queda de juros porque há um efeito em vários setores. A indústria produz mais porque consegue negociar a matéria-prima e os empresários conseguem comprar mais barato. Eu acredito que a partir de agora a tendência é realmente a expansão dos setores”, diz Maltoni.

O diretor de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Marcio Ribeiro, diz que o dólar baixo deve ajudar a controlar a inflação dos produtos que entram com custo reduzido, mas em relação à exportação, a baixa não deve afetar muito a Região de Jundiaí, uma vez os produtos são vinculados aos contratos de longo prazo. “Não estamos falando em mudança de patamar da moeda, mas sim em uma oscilação devido ao evento que foi a reforma da Previdência e logo mais a da tributária.”

Ribeiro acredita que a moeda deve ficar entre R$ 3,65 e R$ 3,79 pelos próximos cinco meses. “Para os empresários, não há muita alteração no cenário porque o processo de precificação (com mudanças na moeda) já havia sido feito e hoje se entende que as empresas têm que trabalhar com expectativa de R$ 3,69 a R$ 3,89, uma vez que a reforma passou apenas uma das Câmaras e a tendência é que recua ainda mais”, acredita o diretor.

CAUTELA
Para os comerciantes que se especializaram em produtos nacionais e importados, mesmo com a queda sutil do dólar, é sempre bom estar atento às mudanças quando o assunto é novas compras.

É o que tem feito o comerciante Claus Peters. Com uma loja de produtos nacionais e importados focada na venda de vinhos, chocolates e produtos finos, ele diz que vai esperar mais alguns dias para fazer novas compras. Assim é possível mensurar quanto será repassado ao consumidor. “O nosso psicológico sempre diz que as quedas são positivas, mas na prática as mudanças acontecem pouco a pouco. Os empresários começam a mexer nos preços quando sentem mais segurança.”

O comerciante acredita o vinho terá uma queda maior no preço, em especial os que chegam do Chile e da Argentina. “Como não há tanta burocracia na entrada destes produtos, com certeza chegarão já com preços alterados”, adianta.

Já o comerciante de uma loja de perfumes importados, Silney Bergaton, comenta que tudo depende dos fornecedores. Se há uma compra com preço alterado por parte deles é possível que haja mudanças na tabela. “Temos que analisar o mercado sempre com calma.”


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