Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Reabertura do comércio lota o Centro de consumidores

Nathália Sousa | 02/06/2020 | 05:30

O primeiro dia de reabertura do comércio em Jundiaí mudou a rotina do Centro nesta segunda-feira (1) com lojas e ruas lotadas desde as primeiras horas do dia. Algumas lojas não chegaram a reabrir as portas e preferiram manter o atendimento via WhatsApp, outras se programaram para receber o público, porém tiveram que seguir a risca às condições de atendimento, como o uso de máscaras por clientes e funcionários, disponibilização de álcool em gel e aferição da temperatura na entrada, limitada a um número de clientes por vez.

O autônomo Wesley Manoel dos Santos fazia compras com a esposa e o filho. “Precisávamos e minha esposa quis vir. Mas na minha opinião vai durar pouco esta pandemia. O pessoal não respeita distância nas lojas, a única obrigatoriedade mesmo é a máscara”, diz ele enquanto a esposa concorda que em alguns estabelecimentos não há, a rigor, o cumprimento das normas.

Já a metalúrgica Cláudia Carvalho estava acompanhada do marido, Arlindo Silva e comprava coisas que não podia adquirir à distância. “Já estava esperando reabrir. Nem toda loja faz entrega onde eu moro.” Sobre a possível contaminação generalizada, Cláudia conta que na loja em que foi comprar, o protocolo está correto. “As pessoas estão bem cuidadosas, estão respeitando, ofereceram álcool em gel, mediram minha temperatura, pediam o espaçamento nas filas, todo mundo de máscara.”

Adriana Costa de Paula aproveitou a ida ao médico no Centro para passar nas lojas. “Aproveitei para comprar coisas que minha filha estava precisando e já estou indo embora.” Adriana diz não temer o aumento de casos com a reabertura. “Muitas pessoas já não estavam preocupadas, já não estavam se cuidando. Quem está preocupado está em casa. Acho que tem só que tomar as precauções certinho”, diz ela.

O pintor Júlio Cesar esperava pela esposa do lado de fora de uma loja. “Minha esposa quis vir hoje. Todo mundo pensa que amanhã terá um fluxo maior porque quem vem já avisa os outros que as lojas estão abertas mesmo, tinha gente que não veio porque não tinha certeza.” Sobre o coronavírus, o pintor diz que não há muito jeito, quem tiver de pegar, pegará. “Muitos que faleceram estavam em casa. Se em uma casa com cinco pessoas uma sair para trabalhar e pegar, contamina todos”, afirma.

A vendedora externa Bruna Baviera esperou ansiosa para que o comércio de rua pudesse reabrir as portas. “Eu não compro on-line, não tem como comprar sapato desta forma porque pode dar errado. Uso máscara, álcool em gel o tempo todo. Se fechar o povo morre de fome.”

Assim como determinou o decreto municipal, publicado na última sexta-feira (29), algumas das regras para que comércios de rua voltem a funcionar é a disponibilização de álcool em gel, entrada e permanência de 20% da capacidade de clientes no estabelecimento e provadores fechados, entre outros.

NOVO AMBIENTE

Mesmo com o dia quente desta segunda-feira, o chão ainda estava molhado por conta da higienização feita para a reabertura. O produto parecia evaporar por conta do calor e o cheiro de cloro estava forte em alguns pontos da rua Barão de Jundiaí. Isto, porém, não foi impeditivo para os consumidores. Ávidos pela reabertura, esperaram mais de 60 dias para poderem entrar em uma loja do comércio não-essencial e, mesmo esperando também em filas grandes para terem acesso às lojas, saírem com as mãos abarrotadas de sacolas.

Não foi o caso do professor José Carlos Maia que passava pela Barão de Jundiaí após ida rotineira à padaria. “Eu só venho na padaria e na lotérica. Roupa não dá porque o dinheiro acabou”, diz ele. Mesmo imersos numa crise econômica, os consumidores de Jundiaí, ao contrário dele, parecem ter guardado um dinheiro para a volta do comércio.

Para Larissa Barelo, o retorno era aguardado pelos funcionários, mas a prevenção deve vir em primeiro lugar. “Estou tranquila. Só mesmo se prevenir, evitar contato, usar máscara. Estava esperando pela reabertura”, diz ela.

Também vendedora, Ana Paula Oliveira trabalha no Centro e conta que desejava voltar à ativa, mesmo temendo os perigos da pandemia. “Eu gostaria de voltar. Claro que a gente tem medo, por causa dos casos aumentando, mas eu estava ansiosa para voltar sim. Máscara as pessoas repeitam mais, mas distanciamento não muito. Hoje mesmo, teve bastante gente no centro, dá um pouco de medo”, conta ela.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Jundiaí (ACE), Mark William Ormenese Monteiro, informou que nem todas as lojas abriram por conta do tempo de adequação às exigências legais. “É importante que a população também siga as recomendações. Tem que usar a máscara para sair e manter a distância mínima entre pessoas de 1,5 metro em todos os ambientes”, alerta Monteiro.

O Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí (Sincomercio) e a Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL), presididos por Edison Maltoni, disponibilizarão placas sobre o uso obrigatório das máscaras e assistência jurídica gratuita aos comerciantes. “Defendemos a retomada da atividade econômica na cidade de forma consciente e segura. Ressaltamos a importância dos empresários cumprirem os protocolos sanitários e outros regramentos que resguardam o equilíbrio da proteção à vida e a liberação gradual de outros segmentos”, afirma Edison Maltoni.

A Divisão de Fiscalização do Comércio prossegue orientando as atividades comerciais, em ação integrada com a Guarda Municipal e a Vigilância Sanitária (VISA). As ações fiscais estão sendo realizadas a partir de denúncias enviadas pelos munícipes no 156 e no 153, ou mediante determinação do Ministério Público, em alguns casos. “O momento é de conscientização e colaboração de todos. A fiscalização sempre terá, primeiramente, um caráter educativo, mesmo porque nossas decisões são fundamentadas em dados técnicos e científicos”, explica o gestor da Unidade de Gestão de Governo e Finanças, José Antonio Parimoschi.


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/reabertura-do-comercio-lota-o-centro-de-consumidores/
Desenvolvido por CIJUN