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Redes sociais ajudam quem quer ‘desapegar’ de objetos pessoais

NIZA SOUZA - csouza@jj.com.br | 26/03/2018 | 09:36

Mais do que conectar pessoas, as redes sociais vêm se tornando uma rede de negócios para quem quer praticar o desapego. Roupas, sapatos, móveis, celulares, cosméticos e eletrodomésticos usados. É possível encontrar de tudo à venda nos grupos formados, principalmente no Facebook, a maior rede social do mundo. Em Jundiaí, são pelo menos 70 grupos de brechós cadastrados atualmente. Especialistas alertam, entretanto, que esse tipo de grupo de compra e venda no Facebook é destinado para pessoas que querem comprar, vender e trocar objetos pessoais, não para empresas. “Esse tipo de brechó nas mídias sociais vem chamando atenção há muito tempo, desde o Orkut. É interessante tanto para pessoas que querem vender itens usados quanto para quem quer comprar algum produto com valor mais acessível”, analisa Isabela Silva, profissional de comunicação e marketing.

Bianca Morais vende de tudo pelas redes sociais, de roupas a maquiagens (Foto: Rui Carlos)

Bianca Morais vende de tudo pelas redes sociais, de roupas a maquiagens (Foto: Rui Carlos)

Pessoas como a estudante Karina Beatriz do Prado Chagas, de 17 anos. Ela conta que começou a “desapegar” de algumas coisas quando percebeu que tinha muita roupa e pares de sapato sem uso em seu guarda-roupa. “A gente acumula muita coisa sem necessidade. É importante se desfazer, liberar espaço”, acredita. “Desta forma, além de tudo, ainda dá para ganhar um dinheiro extra.”
No começo Karina lembra que tinha um pouco de vergonha de oferecer peças usadas. Por isso, sempre teve o cuidado de anunciar itens em bom estado. O primeiro desapego, recorda, foi uma sapatilha, vendida rapidamente.

“Geralmente vendo peças que usei uma vez, ou poucas vezes. Quando vejo que não vou usar mais, já fotografo e coloco para vender. Já vendi blusa de frio, blusinhas, calça jeans. Agora estou me desapegando de alguns sapatos”, enumera Karina, que é integrante de grupos como Brechó das Amigas, Brechó sem mimimi, Feira do Rolo, entre outros. “Às vezes, aproveito o dinheiro extra para comprar desapegos de outras pessoas”, admite.
A atendente Bianca Karollyne Silva Morais, de 18 anos, é adepta do desapego pelos grupos do Facebook há cerca de um ano. “Lembro que tinha uma blusa de frio nova ainda, que estava curta na manga. Daí falei brincando que ia vender. Fotografei e coloquei na minha página do Face. E deu certo”, conta ela, que já perdeu as contas de quantos itens vendeu pela rede social.

Bianca admite que é um pouco consumista e acaba comprando por impulso. “Quando vejo uma coisa que está com o preço muito baixo, acabo comprando duas. Daí não uso e fica lá, só acumulando e tomando espaço. Mas eu não me apego. Coloco para vender”, diz ela, que também faz parte de alguns grupos de venda pelo WhatsApp. A comerciante Alessandra Prates, de 35 anos, também é adepta do desapego pelas redes sociais, mas também costuma comprar por ali, para aproveitar os preços, bem mais em conta. “A primeira coisa que comprei foi um vestido de festa, coisa que a gente usa pouco. E depois também vendi esse vestido pelo Facebook”, comenta.
Para ela, uma das vantagens é o retorno, que no caso de itens usados é maior comparado a sites especializados, como Mercado Livre e OLX. “Além da facilidade tanto para comprar quanto para oferecer algum produto, já que as redes sociais estão disponíveis na palma da mão.”


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