Jundiaí

Reeducandos se ‘agarram’ no trabalho com foco na inclusão



Crédito: Reprodução/Internet
Ter oportunidade para aprender um novo ofício ou até mesmo começar a pensar em uma vida nova fora das paredes do sistema prisional são alguns dos objetivos dos detentos do semiaberto que fazem parte de um convênio iniciado pela Prefeitura de Jundiaí com a Fundação Professor Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap). Desde abril deste ano, 70 presos da Penitenciária de Franco da Rocha estão trabalhando na cidade nas áreas de conservação e de limpeza. Divididos em turmas para agir em vários bairros simultaneamente, os detentos têm enfrentado as mais diferentes reações dos moradores, mas seguem trabalhando com um único propósito: se livrar, mesmo que momentaneamente, da rotina da carceragem. Pelo menos foi esta definição do pernambucano Celso Iran Bezerra de Barros, de 44 anos. Preso por tráfico de drogas, ele conta que a oportunidade não é apenas para aprender algo novo em sua vida, mesmo sabendo que pode se tornar uma profissão no futuro, mas também para conseguir a redução de sua pena. “O tempo tem passado mais rápido porque a rotina é intensa. Acordamos às 4h30 para o banho e café e já pegamos o ônibus para vir para Jundiaí. Voltamos por volta das 18 horas e depois é apenas descansar para encarar o dia seguinte”, diz Celso. Ele conta que já havia feito um curso de pedreiro, mas não havia trabalhado na área. Agora está tendo a oportunidade de praticar e é um dos detentos que se destacam nos serviços de alvenaria em praças e jardins da cidade. “Quero sair (da prisão) e não ter que depender de ninguém, por isso guardo o dinheiro que ganho com este trabalho. É uma experiência nova e estou adorando. Na cadeia eu trabalhava na cozinha”, diz Celso que cumpre a terceira pena. Para quem nunca teve a oportunidade de trabalhar e aprender alguma profissão, a experiência tem valido a pena. O paulista Marcelo Sudário Eugênio, de 32 anos, preso por assalto, não esconde a alegria de ter tido a oportunidade e, hoje, faz da colher de pedreiro seu mais importante instrumento de seu dia a dia. Ele só completou a 4ª série do ensino básico. “Ficar parado destrói a mente, por isso eu queria fazer algo. O trabalho fora do presídio é bom porque nos dá responsabilidade”, diz Sudário, pai de duas filhas, uma de quatro e outra de 15 anos. Há 45 dias no projeto, ele ainda tem alguns anos para terminar o cumprimento de sua pena, porém sabe que tem nas mãos a oportunidade de ‘virar o jogo’ e, segundo ele, sua família também conta com isto. “Minha filha até já falou pra mim ‘agora você vai melhorar né pai’. Isto é um incentivo para mim”, confessa Sudário. O PROGRAMA A jornada de trabalho dos detentos é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com uma hora de intervalo para almoço. Cabe à Unidade de Gestão de Serviços Públicos (UGISP) pagar diretamente à Funap o valor de R$ 998 por mês por cada reeducando participante do convênio. Eles têm também direito a a vale-alimentação e vale-transporte. O agente de postura Rodrigo dos Passos, responsável por um dos grupos de trabalho, explica que uma avaliação do perfil é feita para que a divisão das tarefas seja alinhada. Há aqueles que se destacam melhor na jardinagem, outros na construção. “Não se trata apenas de redução de penas ou ganhar um dinheiro, mas a gente percebe que a maioria quer mesmo mudar e encontra aqui uma oportunidade. Independentemente do delito, aqui eles são tratados iguais”, diz Rodrigo. Para o prefeito Luiz Fernando Machado a parceria é de extrema importância por dois motivos. Além de proporcionar um reforço no atendimento às demandas de zeladoria do município, a iniciativa tem um relevante caráter social, uma vez que oferece ao reeducando a oportunidade de aprender uma nova profissão. Até o momento, segundo o diretor da Penitenciária Mário de Moura e Albuquerque de Franco da Rocha, a medida tem sido positiva e a mudança de comportamento do sentenciado já pode ser notada. “"Um ponto relevante é que a atividade laborterápica diminui a tensão dos reeducandos, resultando em um ambiente mais harmonioso e tranquilo. É notório.”

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