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Relaxamento da quarentena faz aumentar o avanço do vírus

Nathália Sousa | 10/04/2020 | 05:00

Jundiaí acende um alerta sobre o avanço do coronavírus no município. Segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), apenas 48% dos jundiaienses deixaram ou reduziram a circulação na cidade. Número inferior à média do estado, que é de 51%, a porcentagem ideal da população que deveria permanecer reclusa para evitar a sobrecarga do sistema de saúde é de 70%.

O gestor da Unidade de Promoção da Saúde de Jundiaí (UGPS), Tiago Texera, fala que os dados são preocupantes. “Já temos ocupados 45% dos leitos de UTI destinados ao coronavírus, mas se este índice ultrapassar os 80% até a segunda quinzena de abril, corremos o risco de ficar sem leitos disponíveis, apesar de o município já ter destinado 117 exclusivos para o coronavírus no Hospital São Vicente, outros 120 de retaguarda no Hospital Regional, além dos cerca de 100 somados dos hospitais particulares”, lembra.

O período de isolamento parece realmente ter acabado. Basta circular pelas ruas e é possível ver pessoas passeando pelas calçadas, nos supermercados, nas filas dos bancos ou até mesmo nas praças dos bairros. Como o país não chegou ao pico dos casos de covid-19, que deve acontecer neste mês e no próximo, inclusive em Jundiaí, é preciso reforçar a atenção.

O morador da Vila Hortolândia, Wagner Gasparozzo, estava em uma ‘reunião’ com os amigos na rua e revela que, embora saia apenas quando necessário, não teme a covid-19. “Respeito quem se previne, mas não tenho medo. Passei por todas as doenças e não peguei nada até hoje”. Questionado sobre a aproximação de idosos, Gasparozzo diz evitar sempre.

Na fila da lotérica, Luciana Dias, comentou que prefere evitar as saídas e só ir aos lugares necessários. “Às vezes eu saio com medo. Convivo com uma pessoa de mais idade e tomo muito cuidado”, conta ela.
Sem temer pela própria saúde, mas temendo pela da mãe de 91 anos, Loide Soares conversava com as amigas na rua. “Eu não tenho medo. Se eu tiver que pegar eu vou pegar, se for a vontade de Deus. Deus sabe, se ele quiser, eu vou pegar”.

No entanto, Loide demonstra medo quanto à mãe. “Eu que faço tudo para a minha mãe. Quando eu saio, na volta já tiro a roupa, limpo tudo e tomo banho. Eu também limpo bem a casa para não acontecer nada”, conta ela.

O epicentro da pandemia no Brasil é a cidade de São Paulo, com 5.832 casos confirmados, mas a situação é preocupante em todos os municípios, principalmente para os próximos dias. É o que mostra uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) que analisa cidades do interior que podem espalhar a doença por todo o estado. Jundiaí não aparece na lista, mas, além de São Paulo, Campinas e Sorocaba, cidades próximas, estão na lista.

 

COMBATE
Há na cidade hoje dois canais exclusivos, o Disk Coronavírus, para receber denúncias de aglomerações ou até mesmo tirar dúvidas sobre a doença. Desde a implantação do sistema, cerca de 400 denúncias são feitas por dias, entre telefonemas e chats. O Disk Aglomerações, recebeu 315 chamados. As dúvidas podem ser tiradas e as denúncias feitas pelo telefone 156.

 


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