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Renato Nalini: Vou pedir um presente

JOSÉ RENATO NALINI | 23/12/2018 | 07:30

É Natal outra vez! Ninguém passa incólume diante da propaganda agressiva, dos apelos consumistas e do mercado querendo se refazer das alegadas crises.
Mas Natal é natalício. Natal é aniversário. Aniversário de quem: de um judeuzinho chamado Jesus, filho de Maria e de um carpinteiro chamado José. Nasceu em Belém. E mudou a história do mundo.
Quem não acredita nisso não deveria comemorar o Natal. A única celebração digna dessa data é a dos que respeitam a cristandade. Ainda que a fé seja menor do que um grão de mostarda, qualquer agnóstico reconhecerá o que o Cristianismo fez pela história da Humanidade. Pense-se na arte. A beleza das esculturas, das pinturas, dos cânticos, da arquitetura esplêndida das catedrais. Pense-se na educação cristã, que ensina disciplina e ordem. Respeito e consideração. Amor ao próximo. A Igreja foi a grande preservadora da literatura. Todo o acervo de conhecimento da antiguidade só chegou a nossos dias porque laboriosos monges permaneceram em clausura copiando, traduzindo, legando para o futuro a lição dos doutos.
Mas o Natal foi se transformando e adquirindo outras tonalidades. O egoísmo e o interesse tornaram a celebração um culto às compras. Todos querem presentes e quase todos se sentem obrigados a presentear.
Também vou pedir um presente. Não para mim, que já tenho muito mais do que preciso e do que mereço. Mas um presente para o Brasil. Um pouco de paz, menos violência. Mais emprego ou atividade condigna e remunerada, que permita ao brasileiro sobreviver e sustentar seus dependentes. Polidez, porque a educação de berço parece haver deixado o planeta Terra. Respeito por toda espécie de vida. Primeiro, em relação ao semelhante. Levar a sério o supraprincípio da dignidade da pessoa humana. Todos os seres racionais, por pertencerem à espécie, são merecedores de consideração. Mas respeito pelas outras espécies viventes. As árvores estão sendo destruídas. O verde cede espaço ao asfalto e ao concreto. Animais marinhos agonizam nas praias. Pássaros desaparecem. Quase todos os nossos “irmãos irracionais” estão nas listas de extinção.
Sei que é pedir muito. Mas o aniversariante é dadivoso. Deu sua vida por esta raça ingrata. Continua a nos presentear com o dom da existência. Não custa pedir olhe ainda com mais carinho e comiseração por este pobre Brasil.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed. – RT-Thomson

JOSE RENATO NALINI


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