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Renegociar com os inquilinos é alternativa para as imobiliárias

Kátia Appolinário | 19/05/2020 | 05:05

Com a recessão econômica, o mercado imobiliário também está sendo afetado. Para não perder negócios e evitar fechar as portas, as imobiliárias tiveram que rever seus contratos e, entre outras soluções, negociar o valor das parcelas. É o que afirma o representante regional do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Paulo Oliva. “O que tem sido mais comum são renegociações que envolvem adiar uma parte dos pagamentos para um período após a pandemia”, explica.

Além da postergação do pagamento, algumas imobiliárias têm oferecido a redução temporária de 30% do valor do aluguel. Outra resolução para os locatários têm sido a economia neste momento de instabilidade. “Pessoas e empresas que já têm imóveis locados estão procurando novas oportunidades no mercado, visando aluguéis mais baratos do que os pagos atualmente”, diz.

Na cidade, as principais imobiliárias trabalham no diálogos com seus inquilinos diariamente. O corretor Júlio Martini, de 45 anos, afirma que a procura por imóveis teve uma queda brusca. “Notei uma redução de 90% na demanda tanto para salas comerciais quanto para residências. Estamos tendo que renegociar 95% dos contratos”, conta o corretor.

Com mais de duas décadas de experiência, Aldivino Rodrigues, de 70 anos, também é corretor e afirma que o setor imobiliário vem passando por dificuldades há anos. “Durante a pandemia isso apenas se intensificou, mas os problemas já existem há algum tempo. A nós, corretores, cabe compreender o momento e tentarmos ser justos com todos os lados, sejam locadores ou locatários”, ressalta.

 

O PREÇO DA MORADA
Se para os locadores está difícil, para os locatários o cenário não é diferente. A equipe de reportagem do JJ conversou com vários inquilinos, todos com dificuldades para arcar com o valor do aluguel.

A esteticista Sandra Medeiros, de 38 anos, recebeu uma proposta de renegociação da imobiliária. “Me ofereceram uma redução de 50% do aluguel nos meses de abril, maio e junho desde que posteriormente, nos últimos três meses do ano, eu compensasse esse desconto das parcelas. Contudo, diante da crise e desempregada, não posso afirmar que conseguirei arcar com essas parcelas futuramente”, teme a inquilina.

A freelancer Irene Rodrigues, de 49 anos, por sua vez, acredita que deveria haver maior empatia por parte dos locadores. “Mesmo diante da crise, no mês de março o proprietário fez um reajuste de R$ 100 no aluguel do meu imóvel. Fiquei muito desapontada, uma vez que sempre paguei em dia as mensalidades e esse não é o melhor momento para aumentar valores”, lamenta.

O ex-gerente comercial, Edivaldo Junior, de 45 anos, está desempregado e por conta disso atrasou o pagamento do aluguel do mês de maio. “Tive esse pequeno contratempo e avisei a locadora que pagaria em breve, mas mesmo assim ela reagiu em tom rude. Inclusive, a proprietária ameaçou me despejar caso eu não regularizasse o pagamento”, pontua.

 

RECORRENDO À JUSTIÇA
Um levantamento realizado pelo Secovi-SP no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo mostra que só no mês de março 1.211 ações locatícias foram protocoladas na cidade de São Paulo, entre elas, 1.069 ações correspondem a falta de pagamento, ou seja, 88,3% do total. Logo em seguida, com 5,6% estão as 68 ações de despejo. As renovatórias e as consignatórias participaram, respectivamente, com 67 (5,5%) e 7 (0,6%) processos.


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