Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Restaurantes e salões permanecem fechados

Kátia Appolinário | 27/06/2020 | 05:00

O anúncio da permanência da região de Campinas na fase laranja após a atualização do Plano São Paulo, divulgado pelo governador João Doria nesta sexta-feira (26), deixou proprietários de restaurantes, bares e salões de beleza de Jundiaí ainda mais apreensivos. Como a quarentena foi prorrogada até dia 14 de julho, os profissionais terão que aguardar o próximo anúncio do governo para decidirem o futuro de seus trabalhos.

O Comitê de Enfrentamento ao Coronavírus (CEC) reforça que Jundiaí permanecerá na fase laranja, conforme anúncio feito pelo Governo do Estado de São Paulo. A decisão foi embasada nos indicadores registrados na região administrativa de Campinas, onde Jundiaí está inserida ao lado de outras 41 cidades.

De portas fechadas desde o dia 22 de março, a nutricionista e proprietária de um restaurante, Valnira Martins, de 52 anos, teve suas expectativas frustradas. “Infelizmente teremos que esperar mais um pouco para reabrir nosso estabelecimento. Como eu não aderi ao sistema delivery, meu prejuízo está sendo de 100%. No entanto, já estou me planejando para começar a trabalhar com os aplicativos de entrega”, diz.

Pensando na retomada, a empreendedora tem investido na readaptação de seu ambiente comercial. “Já providenciei divisórias de acrílico entre as mesas para que haja distanciamento social entre os clientes e outros itens de higiene, como tapetes com água sanitária para higienizar os sapatos e ozônio para sanitizar o ambiente. Para nós, o esforço é semelhante ao de começar um negócio do zero”.

O empresário Geraldo Gilberto Silva, de 54 anos, está sentindo o triplo do prejuízo. Com três restaurantes no município, a queda do faturamento foi abrupta. “Minha pizzaria noturna está faturando apenas 60% do total. Meu segundo estabelecimento que atendia almoço e jantar passou a faturar 30%. Já a padaria está apenas com 15%”, lamenta, ressaltando que esse lucro só está sendo possível graças ao delivery.

Ele confessa que até o momento não demitiu nenhum funcionário, mas que o mar não está para peixe. “O valor que estamos faturando não é suficiente para cobrir todas as nossas contas, mas temos feito o que podemos”, alega.

Para ele, os próximos meses serão um grande teste e demandarão muita paciência. “Mesmo que a nossa retomada seja liberada, acredito que os clientes voltarão de forma bem lenta e gradual, até porque muitos estão passando dificuldade financeira e comer fora não é uma prioridade”, afirma.

SALÕES DE BELEZA

Assim como os bares e restaurantes, os estabelecimentos de estética também terão que esperar um pouco mais antes de retomar suas atividades. Há mais de 30 anos no ramo da beleza, Amarildo Garcia, de 54 anos, não vê a hora de reabrir as portas de seu salão.

“Acredito que temos condições de trabalhar tomando todos os cuidados e com capacidade limitada. A maioria dos trabalhadores da nossa classe é autônoma e não possui outra fonte de renda, por isso não está sendo fácil”, ressalta relembrando das contas que mesmo com o estabelecimento fechado, não param de chegar.

Para tentar amenizar as dívidas, ele aderiu ao atendimento em domicílio. “Algumas clientes que precisam dos nossos serviços aderiram a ideia, mas todo o procedimento é realizado com muita cautela e com procedimentos de higiene”, alega.

A proprietária de um salão de beleza na cidade, Camila Andrea, de 46 anos, lamenta a situação. “Não está sendo confortável para os profissionais nem mesmo para os nossos clientes. Isso tudo mexeu com as nossas rotinas e desencadeou uma mistura de sentimentos como impotência, medo, raiva e tristeza”, declara.

Ainda que não seja considerado um serviço essencial, a esteticista alega que os serviços de salão são imprescindíveis para muitos. “Temos clientes que não pararam de trabalhar neste período de pandemia e que precisam estar a aparência em dia”, ressalta.

FLEXIBILIZAÇÃO

Em Jundiaí, a passagem para a próxima fase só será possível se o município se encaixar nos critérios estabelecidos no decreto do Estado, que tem como base a capacidade hospitalar, bem como a evolução da pandemia (número de casos, número de internações e número de óbitos).

Mesmo que permaneça na fase laranja, a cidade de São Paulo avançou para a fase amarela e, dessa forma, poderá retomar a atividade de bares, restaurantes e salões de beleza com até 40% da capacidade local, bem como todos os devidos cuidados de higiene.

 

 

 


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/restaurantes-e-saloes-permanecem-fechados/
Desenvolvido por CIJUN