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Risco de afogamento em lagoas já preocupa

Guilherme Barros | 18/10/2019 | 05:00

A chegada dos dias quentes liga o alerta do Corpo de Bombeiros para o risco de afogamentos em lagoas. O espaço aberto é um chamariz para que crianças e adultos busquem diversão gratuita, mas o perigo se esconde no fundo dos reservatórios.

As algas e dejetos presentes nos locais mais profundos são os principais causadores de acidentes – alguns com mortes – nesses espaços.

Um dos frequentadores dessas lagoas, que prefere ter seu nome preservado, perdeu a conta de quantos corpos viu serem retirados da lagoa da Ponte Seca, no quilômetro 5 da marginal do rio Jundiaí, ainda no município de Várzea Paulista. “Quase todos os anos são registrados casos de afogamentos aqui. Eu hoje não nado mais, mas entrava com frequência nesse lago”, diz.

Enquanto a reportagem esteve no local, um grupo de adolescentes aproveitava o espaço sem nenhuma preocupação com a segurança. Alguns utilizavam boias improvisadas. Outros entravam sem nenhum tipo de equipamento: “Tem horas que a gente fica atolado até quase a metade das pernas, mas nunca aconteceu nada comigo. É uma maneira barata de se refrescar”, explica o estudante Gabriel Brás, de 16 anos.

Outros frequentadores passavam redes de pesca em busca de refeição. Literalmente. O desempregado José, de 50 anos, que não quis divulgar sua identidade completa, tentava a sorte em busca de peixes pequenos. “Eu precisei entrar nesse lago porque sou pai de dois filhos e hoje não tinha comida nem pra mim nem pra eles”, lamentou o pescador amador, enquanto comemorava os poucos peixes pequenos que capturou.

Prevenção

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o Estado de São Paulo registrou 262 casos de afogamentos em lagoas, sendo que 71 pessoas morreram.

Isto significa que, por vezes, os bombeiros foram chamados ao local após ter acontecido o afogamento da vítima e os trabalhos se concentraram na recuperação do corpo.

A entidade orienta, ainda, para que pessoas não entrem em águas represadas sem nenhum tipo de prevenção, sejam elas em áreas particulares ou públicas. “Nós orientamos e pedimos encarecidamente que, principalmente com o aumento da temperatura e início do verão, as pessoas procurem locais autorizados para a prática da natação e que tenham serviço de prevenção particular ou do Corpo de Bombeiros”, informa a nota

Bebida alcoólica

Além do perigo natural envolvendo rios e lagoas, outro fator de gatilho para afogamentos é a ingestão de alimentos pesados e bebidas alcoólicas. Em muitos dos casos, o Corpo de Bombeiros foi informado por pessoas próximas que as vítimas fatais haviam ingerido etílicos antes de mergulharem. “A bebida alcoólica diminui os reflexos e percepções, colocando as pessoas em risco também”, completa a nota.

 


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