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Rodovia Dom Gabriel já matou quatro neste ano

FÁBIO ESTEVAM | 14/08/2019 | 05:01

A rodovia Dom Gabriel Paulino (SP-300) Couto registrou de janeiro a junho deste ano três acidentes com vítimas fatais somente no trecho de Jundiaí. Esse número é exatamente três vezes maior do que no mesmo período do ano passado, e se torna ainda maior, com a morte de uma pessoa em um acidente grave ocorrido no último dia 30, envolvendo sete veículos (dentre eles, três carretas), em que outras oito pessoas ficaram feridas e precisaram ser socorridas a hospitais da região.

A violência chama a atenção de quem usa a via todos os dias. A faturista Aline Pereira, de 28 anos, mora no Bairro Fazenda Grande, às margens da rodovia. Ela, que já foi vítima de acidente na Dom Gabriel a caminho de casa, conta que já não dirige mais pela via. “Eu peguei medo de dirigir ali. Dois anos atrás eu e meu marido sofremos um acidente e ficamos assustados”, disse ela. “E todos os dias, sem falta, acontece algum acidente. Ou grave ou simples, mas sempre tem”, comenta.

Aline acredita que a imprudência dos motoristas ao volante é o fator principal para que os acidentes ocorram. “O pessoal parece que sai de casa atrasado e quando chega na rodovia, encontra trânsito pesado. Sem paciência, fazem ultrapassagens irregulares, inclusive pelo acostamento. É aí que muitos acidentes acontecem”.

Já o caminhoneiro Thiago José, de 27 anos, diz que é necessário melhorias de infraestrutura. “Eu dirijo por muitas estradas por todo o estado de São Paulo. E posso dizer que essa é talvez a mais perigosa pela qual eu passo”, avalia. “Isso acontece também porque existe um fluxo de veículos muito grande e uma quantidade de faixas de pista incompatível. É preciso aumentar pelo menos mais uma faixa, mas em toda a extensão da rodovia, sem estreitamento de faixa em pontos críticos da pista, como já aconteceu e atrapalha até hoje”.

O operador de máquina Robson Aparecido Domingos não dirige. Mas passa pela Dom Gabriel todos os dias utilizando transporte coletivo. “Essa via é muito movimentada, mas é bem sinalizada. Os motoristas precisam colaborar sendo mais prudentes”.

Mais números
Apesar do aumento no número de mortes no trecho de Jundiaí, a AB Colinas, concessionária que administra a rodovia, informa que houve queda no número de acidentes no trecho que compreende Jundiaí: 70 casos nos primeiros seis meses deste ano, contra 72 no mesmo período do ano passado. Em toda a sua extensão, de Jundiaí e Tietê, houve aumento, de 251 em 2018, contra 253 neste ano.

Em nota, a AB Colinas esclarece que a SP-300 é uma rodovia que conta com todos os equipamentos necessários para garantir a segurança e o conforto dos usuários, como sinalização, pavimentação, passarelas, pontes, viadutos, dispositivos de retorno, postos de fiscalização e atendimento ao usuário. “Por meio de dados já consolidados pela Concessionária a respeito de acidentes, foi constatado que o fator humano é determinante para as ocorrências deste tipo. Por isso, a concessionária acredita que a conscientização é um fator determinante para que o número de acidentes registrados em rodovias e também dentro dos municípios sofra redução, por isso investe continuamente em campanhas de conscientização nas rodovias sob sua concessão, realizando ações com ciclistas, motociclistas, pedestres, caminhoneiros e motoristas em geral”, diz a nota.

José: “A pista é perigosa, sobretudo pelo excesso de veículos”

Robson: “Os motoristas são muito imprudentes”

Aline: “Eu não dirijo mais na rodovia, porque tenho medo”


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