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Romaria mais velha do Estado conquista títulos

| 25/04/2014 | 17:41

No ano em que comemora 100 anos de atividades, a Romaria Diocesana Masculina de Jundiaí participa de várias atividades e conquista o prestígio e reconhecimento de entidades e associações que valorizam a ação dos romeiros como sendo um misto de cultura, religião e história.

Este ano, a romaria foi reconhecida como patrimônio imaterial da cidade pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac). A indicação partiu da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura. Com a aprovação do Compac, a romaria passa a ser o primeiro bem imaterial registrado na cidade.

Contudo, em 2009, o evento recebeu o Certificado de ‘Bem Imaterial de Jundiaí’, concedido pela Comissão Paulista de Folclore, da Secretaria de Estado da Cultura. “É um orgulho porque esse título pode ajudar cada vez mais a nos profissionalizarmos e darmos condições melhores para os romeiros”, comenta o diretor jurídico da Associação dos Romeiros de Jundiaí, Geraldo Vendrame Júnior.

Este ano, a romaria parte para Pirapora do Bom Jesus no dia 17 de maio, às 7h, e a previsão é de que pelo menos 2,5 mil pessoas participem do encontro. A cavalo, a pé ou de charrete, a proposta é enfrentar os 40 quilômetros até chegar ao santuário de Bom Jesus. Este final de semana haverá uma série de eventos antecipando as comemorações.

A arquiteta e presidente do Compac, Jacqueline Lima, explica que a partir do título, o órgão terá precedentes para acolher outros eventos de cunho cultural como patrimônio. “O conceito de bem imaterial está relacionado às celebrações, forma de expressões, sejam cênicas, plásticas, musicais ou mesmo lúdicas, assim como feiras e santuários que abrigam praticas culturais coletivas.” E completa: “Assim como no passado, esperamos que as próximas gerações mantenham a tradição”.

Amor à peregrinação
No auge de seus 82 anos, Jurandir Cunha fala com orgulho de sua participação em mais de 60 romarias. Começou a fazer suas cavalgadas aos 10 anos, quando acompanhou seu pai. Depois vieram os filhos, netos e bisnetos que agora o acompanham.

“Antigamente não tínhamos nem estrada boa e a gente precisava cortar muitos caminhos. Era uma época sofrida, mas que eu não me arrependo de ter participado.” Mesmo com todas as dificuldades que encontravam pela estrada, ele reforça a fé que move os romeiros e faz com que a prática seja feita até hoje.

“A romaria é uma devoção para mim e sagrada porque chegar aos pés do Bom Jesus é a melhor coisa e não há cansaço ou dificuldade que me faça parar.”

História
A romaria teve início em 1914 – ano em que estourou a Primeira Guerra Mundial – com um grupo formado por 13 amigos que seguiram até a cidade de Pirapora para pedir paz ao Senhor Bom Jesus. Já na quarta romaria, em 1918, com a notícia do fim da guerra, a devoção ao santo só aumentou.


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