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Sabesp faz plano fraco para ‘volume morto’ do Cantareira

| 01/10/2014 | 22:03

A Sabesp protelou a entrega de um plano para a retirada da segunda cota do ‘volume morto’ do sistema Cantareira e, quando o fez, apresentou um projeto muito fraco, afirmou o diretor-presidente da ANA (Agência Nacional de Águas), Vicente Andreu, nesta quarta-feira (01).

A empresa de saneamento pediu até o próximo dia 6 para reapresentar o estudo, que prevê a utilização de mais 106 bilhões de litros das águas que estão abaixo das bombas de captação da Sabesp e foi enviado na semana passada aos órgãos responsáveis por autorizar a retirada – ANA e DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica, do governo estadual).

Segundo Andreu, que não deu detalhes do plano nem disse a razão pela qual o considera fraco, “parece evidente que há uma ação protelatória” da Sabesp, que entregou o projeto no último dia de prazo após três prorrogações. “Eles encaminharam um documento muito fraco, como a própria Sabesp reconheceu”, diz. “Depois, na segunda, pediram mais cinco dias para a revisão desse documento.” O novo prazo solicitado pela Sabesp coincide com o dia seguinte ao primeiro turno das eleições, que ocorre no domingo (5). O governador Geraldo Alckmin (PSDB) é candidato a reeleição.

O sistema Cantareira tem 1,46 trilhão de litros de água – sendo 974 bilhões de volume útil e 486 bilhões de volume morto (ou reserva técnica). Ele abastece diretamente 6,5 milhões de pessoas na Grande SP (antes da crise eram 8,8 milhões) e indiretamente 5,5 milhões do interior do Estado, nas regiões de Campinas, Jundiaí e Piracicaba. Dos 974 bilhões do volume útil e 182 bilhões da primeira cota do volume morto, que já está sendo retirada do Cantareira desde maio, restam menos de 63 bilhões de litros de água. A segunda cota do volume morto adicionará 106 bilhões ao sistema, caso a retirada seja autorizada.

Água até maio – A reportagem teve acesso a informações que constam no estudo da Sabesp e que será revisto. Segundo projeção inicial da empresa, a segunda cota do volume morto e as chuvas permitiriam abastecer a Grande SP e as regiões de Campinas e Piracicaba até maio de 2015, quando começa o próximo período de estiagem. 

O plano mostra que há 93% de probabilidade de o Cantareira chegar em 1º de maio com cerca de 10% do volume útil – mesmo patamar de 1º de maio deste ano. Caso essa projeção se concretize, é provável que os mesmos problemas da crise hídrica de 2014 se repitam no próximo ano. Mostra também que a Sabesp não pretende reduzir a atual quantidade de água que é retirada do Cantareira para abastecer a Grande São Paulo (19,7 m3/s).

Esse foi o motivo para a ANA ter se retirado do comitê de gestão de crise do Cantareira em 19 de setembro. Segundo a agência, havia sido acordado com o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos de São Paulo, Mauro Arce, que a vazão para a capital seria reduzida a 18,1 m3/s a partir de hoje (1º de outubro) e a 17,1 m3/s a partir de 1º de novembro.

“O grupo deixou de existir porque o secretário não cumpriu o acordo firmado”, afirma o diretor-presidente da ANA. “Nós temos uma visão: diante da gravidade, reduzir a vazão para aumentar a vida útil do sistema. Ele está olhando para os impactos sobre a Sabesp. Isso é normal. O que não é normal é não cumprir acordo.” Mesmo com as críticas, Andreu minimiza a situação. “Apesar do tensionamento político, as questões técnicas vão prevalecer.”


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